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	<title>Ouch!mann &#187; Reflexões</title>
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	<description>Portfolio de Allan Altmann</description>
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		<title>Teoria das &#8220;Janelas Partidas&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 18:54:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[teoria das janelas partidas]]></category>
		<category><![CDATA[vandalismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou dois veículos abandonados na via pública, dois carros iguais, da mesma marca, modelo e até cor. Um foi deixado no bairro do Bronx, uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (2 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de <strong>psicologia social</strong>. Deixou dois veículos abandonados na via pública, dois carros iguais, da mesma marca, modelo e até cor. Um foi deixado no bairro do Bronx, uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma área rica e tranquila da Califórnia. Dois carros iguais abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada lugar.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1280" style="margin-left: 20px; margin-right: 20px;" title="Vandalismo" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/AB08673-e1281811725773.jpg" alt="" width="250" height="250" />Resultou que o carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas.   Perdeu as janelas, o motor, os espelhos, o rádio etc.   Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar foi destruído. Contrariamente, o veículo abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.</p>
<p>É comum atribuir à pobreza as causas dos furtos. Essa atribuição coincide com posições ideológicas mais conservadoras.   Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando o carro abandonado no Bronx já estava desfeito e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, <strong>os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto</strong>.</p>
<p>O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por que o vidro partido no veículo abandonado, num bairro supostamente seguro, foi capaz de disparar todo um processo de delitos?</p>
<h4><strong><span style="text-decoration: underline;">Não se trata de pobreza</span></strong>.</h4>
<p>Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais. Um vidro quebrado num carro abandonado transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência. Como a ausência de lei, normas ou regras, um verdadeiro &#8220;vale tudo&#8221;.  Cada novo ataque que o veículo sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.</p>
<p>Em experiências posteriores, James Q. Wilson e George Kelling  desenvolveram a <em>&#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_Janelas_Partidas" target="_blank">Teoria das Janelas Partidas</a>&#8220;</em>. De um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o <span style="text-decoration: underline;">descuido</span>, a <span style="text-decoration: underline;">sujeira</span>, a <span style="text-decoration: underline;">desordem</span> e o <span style="text-decoration: underline;">maltrato</span> são maiores.</p>
<p>Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão quebrados todos os demais.   Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali nascerá o crime. Se se cometem &#8220;pequenas faltas&#8221; (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as  mesmas não são punidas, então começam as faltas maiores e logo crimes cada vez mais graves.  Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças,  o desenvolvimento da violência será maior quando elas forem adultas.</p>
<p>Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são  progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por medo de gangues e drogados), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.</p>
<p>A <em>Teoria das Janelas Partidas</em> foi aplicada pela primeira vez por volta da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: grafites deteriorando o lugar, sujeira das estacões, recolhimento de bêbados, golpes ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens.   Os  resultados foram evidentes.   Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1278" title="Rudolph Giuliani" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/giuliani.jpg" alt="" width="250" height="250" />Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de <em>&#8220;Tolerância Zero&#8221;</em>.</p>
<p>A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.</p>
<p>A expressão &#8220;Tolerância Zero&#8221; soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança.    Não se trata de linchar o delinquente e nem da prepotência e excessos da polícia. A respeito dos abusos de autoridade deve-se também aplicar a tolerância zero.</p>
<h4><strong>Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas  tolerância zero em relação ao próprio delito. </strong>Trata-se de criar uma cidade limpa, ordenada, respeitosa da lei e dos códigos básicos para uma convivência social humana.</h4>
<p><Br></p>
<p style="text-align: right;"><em>Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.&#8221;<br />
</em>Fernando Pessoa</p>
<hr />
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		<title>Os outros de nós mesmos</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 03:05:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Sérgio Cortella]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[A ética é, antes de mais nada, a capacidade de protegermos a dignidade da vida coletiva. Afinal de contas, nós, homens e mulheres, vivemos juntos. Aliás, para seres humanos, não existe vivência, existe apenas convivência. Nós só somos humanos com outros humanos. A nossa humanidade é compartilhada. Ser humano é ser junto. Isso significa que [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } -->A ética é, antes de mais nada, a capacidade de protegermos a dignidade da vida coletiva. Afinal de contas, nós, homens e mulheres, vivemos juntos. Aliás, para seres humanos, não existe vivência, existe apenas convivência. Nós só somos humanos com outros humanos. A nossa humanidade é compartilhada. Ser humano é ser junto. Isso significa que é preciso que saibamos que a nossa convivência exige uma noção especial da nossa igualdade de existência, o que nos obriga a afastar do ponto de partida qualquer forma de arrogância.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1224" title="Os outros de nós mesmos" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Untitled-1.jpg" alt="" width="571" height="348" /></p>
<p>Gente arrogante é gente que acha que já sabe, repitamos. Gente arrogante é gente que acha que já conhece. Gente arrogante é gente que acha que ela é o único tipo de ser humano válido que existe. Gente arrogante se relaciona com o outro – por conta do dinheiro que carrega, por conta do nível de escolaridade, por conta do sotaque que usa – como se o outro não fosse outro. Fosse menos.</p>
<p>Isso apequena a vida e apequena a alma, se se entender a alma como sua identidade.</p>
<p>Gente arrogante é incapaz de prestar atenção. Você está dialogando com o arrogante, ele não presta atenção no que você está falando. Ele fica pensando enquanto você fala. Ele não quer nem saber o que você está falando. Ele só está esperando você parar para ele continuar falando. O arrogante esquece uma frase do grande teólogo catarinense Leonardo Boff, que diz que “um ponto de vista é a vista a partir de um ponto”. A ética, entre outras coisas, nos obriga a perceber essa multiplicidade de pontos de vista. O arrogante acha que só tem um ponto de vista que vale: o dele.</p>
<p>Afinal, quem são os outros de nós mesmos? O mesmo que nós somos para os outros, ou seja, outros. A arrogância é uma coisa absolutamente complicada para isso, porque ela acaba marcando alguém pela incapacidade de ter a visão de alteridade.</p>
<p>Só é possível falar numa ética que promova a vida digna coletiva se eu for capaz de olhar o outro como outro, e não como estranho. Aliás, é necessário afastar qualquer forma de arrogância, porque coloca essa condição negativa: su-porque só exista um jeito de ser. E a fratura ética se origina, em grande parte, da arrogância e da ganância.</p>
<p><img class="alignright size-full  wp-image-1221" title="Mário Sérgio   Cortella" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/mariosergiocortella3.jpg" alt="" width="299" height="370" />Não confunda ambição com ganância. A ambição faz a humanidade crescer, a ganância faz a humanidade regredir. Ambiciosa é a pessoa que quer mais, gananciosa é a pessoa que só quer para si. A humanidade cresce porque as pessoas são ambiciosas, querem mais trabalho, mais lucratividade, mais conhecimento. A ganância, junto com a arrogância, são mecanismos de apodrecimento ético. Nós, humanos, somos um animal arrogante. Tão arrogantes que achamos que somos proprietários do planeta. Não somos. Somos usuários compartilhantes. Quais foram os animais mais poderosos do planeta antes de nós? Os dinossauros. Dominaram o planeta por 110 milhões de anos. Nós estamos dominando há 40 mil anos e estamos achando que podemos fazer qualquer coisa.</p>
<p>Aliás, para cada humano no planeta há sete bilhões de insetos. Já imaginou se, para entender o que estamos fazendo com o planeta partilhado, hoje à noite só os seus vierem lhe visitar?</p>
<p>Trecho retirado e adaptado do livro &#8220;<a href="http://www.fnac.com.br/qual-e-a-tua-obra-inquietacoes-propositivas-sobre-a-etica-lideranca-e-gestao-FNAC,,livro-444015-2122.html?cmp=_&amp;cat=Livro&amp;sub=Lideran%C3%A7a-e-RH&amp;prd=QUAL-%C3%89-A-TUA-OBRA?-INQUIETA%C3%87%C3%95ES-PROPOSITIVAS-SOBRE-A-%C3%89TICA,-LIDERAN%C3%87A-E-GEST%C3%83O" target="_blank">Qual é a tua obra?</a>&#8221; de Mário Sérgio Cortella.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.skoob.com.br/ad/cc/1/1/1/?pub=http://www.skoob.com.br/promocao/codigo/181017"><img src="http://www.skoob.com.br/img/promocao/11280777319.gif" alt="" width="460" height="68" /></a></p>
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		<title>Big Criticados Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 18:06:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[big brother]]></category>
		<category><![CDATA[entretenimento]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[A sociedade é dividida em tribos e essas tribos são facilmente identificadas através de seus adereços. Se eu pedir para que você imagine um grande fã de música sertaneja, a bota, a fivelona da cinta e o chapéu são imagens recorrentes. Se a figura a ser imaginada for grande fã de heavy metal o cabelo [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=4.7" /></div><div>Rating: 4.7/<strong>5</strong> (6 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A sociedade é dividida em tribos e essas tribos são facilmente identificadas através de seus adereços. Se eu pedir para que você imagine um grande fã de música sertaneja, a bota, a fivelona da cinta e o chapéu são imagens recorrentes. Se a figura a ser imaginada for grande fã de <em>heavy metal</em> o cabelo comprido e as roupas pretas são uma constante. Isso é indiscutível, certo?</p>
<p><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/big_brother_brasil_2.jpg" rel="lightbox[1056]"><img class="alignright size-medium wp-image-1064" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="&quot;Ai Bial!&quot;" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/big_brother_brasil_2-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a>Pensar dessa forma é um ótimo atalho para o preconceito. No último Big Brother da Globo, os participantes foram enquadrados em determinadas tribos, definições e alcunhas que eu particularmente não concordo. Sugestões para conclusões do tipo:  &#8221;Se for sarado não tem cabeça e vice-versa&#8221;. Bastante simplista por sinal.</p>
<p>Coisa parecida eu comecei a perceber nas rodas de amigos abastecidas de filosofia de boteco. &#8220;Eu não assisto Big Brother, tenho mais o que fazer&#8221; ou &#8220;Big Brother emburrece!&#8221; são refrões comuns entre várias pessoas. Mas por quê? Por que essa repulsão sistemática ao programa?</p>
<p>É bastante curioso como o Big Brother (especificamente o Big Brother) gera esse tipo de reação de alguns. Ocasionalmente esse comentário é utilizado para quem assiste  novelas, mas quando se trata do Big Brother (nada mais que outra novela em meu ponto de vista) a crítica é sempre incisiva e contundente. Ultimamente só deu isso na mídia. Emissoras concorrentes à Globo comentaram o programa, no Twitter quase todo mundo deu pitaco, blogs e sites de notícias estampavam algum artigo, matéria ou enquete sobre o jogo.</p>
<p>A alusão às tribos, no primeiro parágrafo, entra em paralelo com a imagem que essas pessoas fazem de quem assiste o Big Brother. Não entendeu? Todo cabeludo é metaleiro da mesma forma que quem assiste o Big Brother é inculto. Subliminarmente é isso que quem utiliza as expressões citadas acima quer dizer.</p>
<p>&#8220;Eu não assisto Big Brother porque tenho mais o que fazer&#8221;. Alguém DEIXOU de fazer alguma coisa para assistir o programa? Provavelmente, mas sem dúvida que foram poucos. Alguém que não é da família dos participantes assinou o Pay-per-view? Sem dúvida, certamente poucos. A impressão que tenho desse tipo de crítica é que a pessoa deseja impor uma imagem superior, quase erudita.</p>
<p><em>&#8220;Você viu a treta no Big Brother ontem?&#8221;<br />
&#8220;Não, eu não assisto e nem vou assistir.&#8221;<br />
&#8220;Por quê?&#8221;<br />
&#8220;Estou lendo James Joyce.&#8221;</em></p>
<p>Ou&#8230;</p>
<p><em>&#8220;Quem você acha que sai hoje?&#8221;<br />
&#8220;Não assisto Big Brother&#8221;<br />
&#8220;Por quê?<br />
&#8220;Estou estudando para ser diplomata e não posso perder tempo&#8221;.</em></p>
<p>Entenda, por mais que pareça, não estou defendendo ou incentivando a audiência ao programa. Só acredito que ele é como qualquer outra forma de entretenimento. Ou qual seria a diferença entre Big Brother Brasil e o famoso seriado &#8220;Two and a Half Men&#8221;? Qual a diferença entre assistir Big Brother e jogar videogame, ou até mesmo em assistir um jogo de futebol?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1065" title="É faaaalttaaa!!!!" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/futebol-e1270058379136.jpg" alt="" width="174" height="200" /><img class="alignnone size-full wp-image-1066" title="Assassina!!" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/novela-e1270057997516.jpg" alt="" width="199" height="200" /><img class="alignnone size-full wp-image-1067" title="Radouken!" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/videogame-e1270058592793.jpg" alt="" width="210" height="200" /></p>
<p>Pra mim, diferença alguma. Claro que você pode pensar: &#8220;Mas Two and a Half Men é muito melhor que Big Brother!&#8221; Tudo bem, é sua opinião e deve ser respeitada. Só que no final das contas é tudo entretenimento.</p>
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		<title>Fim da novela Isabella Nardoni</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/03/29/fim-da-novela-isabella/</link>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 22:55:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[caso Isabella]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[crime]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[É comum determinados crimes serem transformados em novelas pelos telejornais das emissoras brasileiras. Não creio que esse seja um fenômeno exclusivo nosso, mas sem dúvida a busca por audiência é sempre maior que a busca por justiça. João Hélio, Isabella e Eloá são exemplos recentes deste fenômeno jornalístico. Depois da semana de julgamento do casal [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=0.0" /></div><div>Rating: 0.0/<strong>5</strong> (0 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="270" height="200" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/8mEVEAmMffc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="270" height="200" src="http://www.youtube.com/v/8mEVEAmMffc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>É comum determinados crimes serem transformados em novelas pelos telejornais das emissoras brasileiras. Não creio que esse seja um fenômeno exclusivo nosso, mas sem dúvida a busca por audiência é sempre maior que a busca por justiça. João Hélio, Isabella e Eloá são exemplos recentes deste fenômeno jornalístico.</p>
<p>Depois da semana de julgamento do casal Nardoni e de perceber as reações populares acerca do fato comecei a refletir muito sobre a responsabilidade do jornalismo. Não posso afirmar o porquê, mas cada vez mais o entretenimento nos envolve onde quer que estejamos. A notícia em si está virando um produto ampliado. Os telejornais, além de informar, passaram a ser revistas televisivas reforçando algo que tenho dito: &#8220;O jornal, hoje, é novela antes da novela.&#8221;</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1041" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Revista VEJA" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/capa_veja_nardoni-e1269922160960.jpg" alt="" width="200" height="258" />A &#8220;novela&#8221; Isabella só faltou ser transmitida em 3D. Há 2 anos o episódio brasileiro de CSI tinha início. Hoje, com o julgamento do casal Nardoni as atenções populares se assemelham ao último capítulo de uma bem escrita &#8220;novela das 8&#8243;, mas com um grande diferencial de entretenimento. A interação.</p>
<p>Além das inúmeras enquetes pela internet, gente do Brasil todo se enfileirou em frente ao Fórum de Santana para acompanhar o desfecho da história <em>in loco</em>. A imagem de um desempregado de Brasília me chamou muito a atenção. Ele optou ir para São Paulo acompanhar o julgamento. Não quero julgar a opção do cidadão, que é livre, mas sim ilustrar as consequências do valor que a mídia deu a este caso. Outras imagens me chamaram a atenção, como as agressões ao advogado de defesa do casal, flagradas no video abaixo:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="570" height="420" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yX0vsmBWTVU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="570" height="420" src="http://www.youtube.com/v/yX0vsmBWTVU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">E também o de uma mulher que, com uma criança no colo, tenta agredir outro popular que não compartilha da opinião da maioria e, com mensagens escritas em uma folha de caderno, chama a atenção para o prejulgamento e senso comum.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="alignleft size-full wp-image-1043" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Veja - Isabella Nardoni" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/capaVejaNardoni-e1269922372663.jpg" alt="" width="250" height="322" />O caso foi polêmico e complicado. Existiam fortes indícios de os réus serem os assassinos, mas as provas eram inconclusivas. A polícia provavelmente estragou algumas delas (8 policiais entraram no apartamento no dia do crime) e talvez por isso influenciou o quanto pôde para condenar os suspeitos.</p>
<p style="text-align: left;">Com tudo isso não quero concluir que acho que o casal deveria ser absolvido, mas discutir a responsabilidade do jornalismo que vem condenando o casal há 2 anos. Em vez de manter a dúvida de uma história inconclusiva, a mídia elegeu previamente os vilões, influenciou toda opinião pública e o promotor Cembranelli ganhou o status de mocinho.</p>
<p style="text-align: left;">A comemoração com o sentenciamento do casal, como a vitória em uma final de Copa do Mundo, com direito a fogos e carreatas mostra tamanho desvirtuamento que sofreu o caso. A tentativa de agressão ao advogado de defesa e mais tarde dos sentenciados nas suas saídas do Fórum prova o quanto ainda nos falta civilidade.</p>
<p style="text-align: left;">A corrupção mensal<span style="color: #993300;">ão</span> de nossos comandantes políticos mata indiretamente muitas Isabellas por ano, mas como isso não sensibiliza, não produz reações a altura do que os Nardoni provavelmente fizeram.</p>
<p style="text-align: left;">Agora veja o video abaixo. É do julgamento de uma indiana:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="570" height="420" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/_4TvPx6Pt8M&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="570" height="420" src="http://www.youtube.com/v/_4TvPx6Pt8M&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">O que você sentiu ao assistir esse video? Além de repulsa, eu pensei: &#8220;Que absurdo, que primitivo!&#8221;</p>
<p style="text-align: left;">O primitivismo dessa cena eu comparo às reações populares e suas comemorações com o fim do julgamento da &#8220;novela Isabella&#8221;.</p>
<hr />Eis um ótimo post sobre o que também penso:<br />
<a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2738145-EI6584,00.html" target="_blank">Opinião do antropólogo e professor da Universidade Federal da Bahia, Roberto Albergaria</a></p>
<hr />
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2010%2F03%2F29%2Ffim-da-novela-isabella%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=0.0" /></div><div>Rating: 0.0/<strong>5</strong> (0 votes cast)</div><br />]]></content:encoded>
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		<title>Reflexão ao volante</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/03/22/reflexao-ao-volante/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 19:27:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[trânsito]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre comparei o funcionamento do trânsito real com o de um jogo de videogame. Penso até que, antes de entregar a carteira de motorista para um novato, colocassem-no a prova em um jogo qualquer como Enduro do Atari, por exemplo. Geralmente quando a pessoa joga, a atenção dela fica na tela. É um belo exercício. [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (7 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre comparei o funcionamento do trânsito real com o de um jogo de videogame. Penso até que, antes de entregar a carteira de motorista para um novato, colocassem-no a prova em um jogo qualquer como Enduro do Atari, por exemplo. Geralmente quando a pessoa joga, a atenção dela fica na tela. É um belo exercício. A mãe pode chamar pra almoçar, a irmã pode gritar que quer assistir TV&#8230; não importa, sua atenção está fixa na tela, você não quer bater o carro.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="575" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="align" value="center" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Lbi42O_gyso&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="575" height="300" src="http://www.youtube.com/v/Lbi42O_gyso&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" align="center"></embed></object></p>
<p>Voltando ontem de Londrina comecei a reparar no trânsito da estrada e relaciono abaixo algumas observações:</p>
<h5>Poder, educação e consciência</h5>
<p><img class="alignright size-full wp-image-999" title="Reflexão ao volante" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/reflexaoVolante3.jpg" alt="" width="300" height="187" />É certo que generalizar é errado, mas por que constato cada vez mais que quem anda em carro caro geralmente dirige mal pra caramba? Pra mim, isso é um contrassenso. Convenhamos; quem anda num carro avaliado em mais de R$ 100mil deve ter sucesso profissional ou determinado poder, não é? Imagino que quem teve um bom berço e oportunidade de estudar devesse dar exemplo de educação na padaria e também na estrada.</p>
<p>Ou será que o poder dá à pessoa inevitável petulância? Ao ver aqueles Audis e BMWs ultrapassando em faixa contínua e certamente a mais de 150km/h, imagino a pose de seus motoristas proferindo a famosa questão: &#8220;Você sabe com quem está falando?&#8221;</p>
<h5>Luz alta</h5>
<p><img class="alignright size-full wp-image-998" title="&quot;Báxa a luz!!&quot;" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/reflexaoVolante2.jpg" alt="" width="300" height="252" />Sem hesitar posso dizer que você odeia luz alta na cara, certo? Ela é chata quando vem em direção oposta a nossa visão. De noite então, quando precisamos de 100% da nossa luz para ver para onde estamos indo a luz alta vindo em mão oposta, além de incomodar, compromete de alguma forma nossa segurança.</p>
<p>Sempre que viajo a noite eu testo a atenção do pessoal que vem na mão contrária a minha. Em curvas ou percorrendo algum relevo há possibilidade de perceber a presença de carro na pista antes mesmo de ele aparecer. Mágica? Claro! O nome dela é física!</p>
<p>Durante a curva, o acostamento é iluminado antes do carro aparecer e &#8220;montanha acima&#8221; é possível perceber a <em>aura</em> da luminosidade antes de dar de frente com o carro. E isso é vice-versa. Funciona para você e também para quem vem ao seu encontro na estrada. Então atingir o olho do outro com luz alta, ao meu ver, é uma questão de atenção e opção.</p>
<h5>Motociclista&#8230; ah o motociclista&#8230;</h5>
<p>Nas grandes cidades ele é o famoso vilão. Trafega pelas entre pistas, sobe na calçada, segue na contramão com facilidade&#8230; mas o que eu percebo é que na estrada ele é a vítima. O mesmo motorista que o critica por não respeitar a faixa de tráfego da cidade, é o que desrespeita-o na estrada. É&#8230; a hipocrisia não escolhe o alvo.</p>
<p>Não sou motociclista e nem o quero ser, mas posso imaginar a angústia de estar trafegando a 100km/h na estrada com um caminhão ou carro colado na traseira da moto. Ou ainda ser ultrapassado &#8220;à meia pista&#8221;, quase sendo encostado na lateral da moto.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-996" title="Reflexão ao volante" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/reflexaoVolante.jpg" alt="" width="532" height="320" /></p>
<p>O comportamento do trânsito reflete bem a situação da educação de um país. A Alemanha é um clássico exemplo disso, <a href="http://blog.fonteplena.com.br/2008/08/18/maior-visibilidade-noturna/" target="_blank">os países de primeiro mundo sempre estão em nossa frente</a>, mas você vai se surpreender com a educação do trânsito chileno ou enlouquecer com a organização do trânsito indiano e peruano.</p>
<p>Se alguma vez você me encontrar em alguma estrada, fique tranquilo. Além de não dificultar sua viagem eu não vou provocar acidente algum por desatenção ou desrespeito. Só gostaria de saber que, quando for eu a encontrar você na estrada, não seja diferente.</p>
<p>Como diria a Fundação Roberto Marinho: &#8220;Educação, passe adiante&#8221;.<br />
Continuo tentando! =)</p>
<p>Outras pessoas já refletiram sobre este assunto, caso interessar, leia também:<br />
<a href="http://fabianaguedesporai.blogspot.com/2008/04/um-momento-de-reflexo-sobre-o-trnsito.html" target="_blank">Fabiana Guedes</a> | <a href="http://fashionbubbles.com/comportamento/transito-nosso-de-cada-dia/" target="_blank">Vinicius Moura</a></p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2010%2F03%2F22%2Freflexao-ao-volante%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (7 votes cast)</div><br />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Dance monkeys, dance!&#8221;</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/03/14/dance-monkeys-dance/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 17:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[spoken word]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse texto de Ernest Cline não é novo, mas sua reflexão ainda não estourou o prazo de validade. O autor é um poeta americano de &#8220;spoken word&#8221; (poesia dita). Este estilo alternativo de poesia geralmente aborda temas polêmicos, protestos, confissões pessoais ou opiniões políticas, sociais e culturais. Há bilhões de galáxias no universo observável E [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=0.0" /></div><div>Rating: 0.0/<strong>5</strong> (0 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse texto de Ernest Cline não é novo, mas sua reflexão ainda não estourou o prazo de validade. O autor é um poeta americano de <em>&#8220;spoken word&#8221;</em> (poesia dita). Este estilo alternativo de poesia geralmente aborda temas polêmicos, protestos, confissões pessoais ou opiniões políticas, sociais e culturais.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="580" height="450" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DRJqrLd7MrE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="580" height="450" src="http://www.youtube.com/v/DRJqrLd7MrE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Há <span style="font-size: large;">bilhões </span>de galáxias no universo observável<br />
E cada uma delas contém centenas de <span style="font-size: small;">bilhões </span>de <span style="font-size: small;">estrelas</span><br />
Em <span style="font-size: large;">uma </span>dessas galáxias<br />
Orbitando <span style="font-size: large;">uma </span>dessas estrelas<br />
Há um pequeno <span style="font-size: small;">planeta azul</span><br />
E este planeta é governado por um <span style="font-size: small;">bando de macacos</span><br />
Mas esses macacos não pensam em si mesmos como <span style="font-size: small;">macacos</span><br />
Eles nem sequer <span style="font-size: large;">pensam em si</span> mesmos como animais<br />
De fato, eles <span style="font-size: large;">adoram</span> listar todas as coisas que eles pensam separá-los dos animais:<br />
Polegares <span style="font-size: small;">opositores</span><br />
<span style="font-size: small;">Autoconsciência</span><br />
Eles <span style="font-size: large;">usam palavras</span> como Homo Erectus e Australopithecus<br />
Você diz to-ma-te, eu digo to-ma-ti.<br />
Eles <span style="font-size: large;">são animais</span>, certo?<br />
Eles <span style="font-size: small;">são macacos</span><br />
Macacos <span style="font-size: large;">com tecnologia</span> de fibra ótica digital de alta velocidade<br />
<span style="font-size: large;">Mas ainda assim macacos</span><br />
Quero dizer, <span style="font-size: small;">eles são espertos</span>, você tem que conceder isso<br />
As pirâmides, os arranha-céus, os <span style="font-size: small;">jatos</span>, a <span style="font-size: large;">Grande Muralha da China</span><br />
Isto tudo é <span style="font-size: small;">muito impressionante</span><br />
<span style="font-size: large;">Para um bando de macacos</span><br />
Macacos cujos cérebros evoluiram para um tamanho tão ingovernável que agora é bastante impossível para eles ficarem felizes por muito tempo<br />
Na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes<br />
Todos <span style="font-size: small;">os outros animais podem simplesmente ser</span><br />
Mas não é tão <span style="font-size: small;">simples</span>, para os macacos<br />
Pois os macacos são amaldiçoados com a <span style="font-size: small;">consciência</span><br />
E assim os macacos <span style="font-size: large;">têm medo</span><br />
Os macacos <span style="font-size: large;">se preocupam</span><br />
Os macacos se preocupam <span style="font-size: large;">com tudo</span><br />
Mas acima de tudo com o que todos <span style="font-size: small;">os outros macacos pensam</span><br />
Porque os macacos querem desesperadamente se encaixar<br />
Com os outros <span style="font-size: small;">macacos</span><br />
O que é bem difícil, porque <span style="font-size: large;">a maior parte dos macacos se odeia</span><br />
Isto é o que <span style="font-size: large;">realmente </span>os separa dos outros animais. Estes macacos odeiam<br />
Eles odeiam macacos que são <span style="font-size: small;">diferentes</span><br />
Macacos <span style="font-size: small;">de lugares diferentes</span><br />
Macacos <span style="font-size: small;">de cores diferentes</span><br />
Sabe, os macacos <span style="font-size: large;">se sentem sozinhos</span><br />
<a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ernestCline.jpg" rel="lightbox[966]"><img class="alignright size-medium wp-image-967" title="Autor: Ernest Cline" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ernestCline-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><span style="font-size: large;">Todos os seis bilhões deles</span><br />
Alguns dos macacos pagam outros macacos para ouvir seus <span style="font-size: small;">problemas</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">querem respostas</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">sabem que vão morrer</span>, então os macacos <span style="font-size: small;">fazem deuses</span><br />
<span style="font-size: large;">E os adoram</span><br />
Então os macacos começam a discutir <span style="font-size: small;">quem fez o deus melhor</span><br />
E os macacos ficam irritados, e é quando geralmente os macacos decidem que é uma boa hora de começar a matar a uns aos outros<br />
<span style="font-size: large;">Então os macacos fazem guerra</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">fazem bombas de hidrogênio</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">têm o planeta inteiro preparado para explodir</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">não sabem o que fazer</span><br />
Alguns dos macacos tocam para uma multidão vendida de outros macacos<br />
Os macacos <span style="font-size: small;">fazem troféus e então eles os dão para si mesmos</span><br />
Como se isto significasse algo<br />
Alguns dos macacos <span style="font-size: small;">acham que sabem de tudo</span><br />
Alguns dos macacos lêem Nietzsche<br />
Os macacos discutem Nietzsche<br />
Sem dar qualquer consideração ao fato de que <span style="font-size: small;">Nietzsche</span><br />
<span style="font-size: large;">Era só outro macaco</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">fazem planos</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">se apaixonam</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">fazem sexo</span><br />
E então fazem mais macacos<br />
Os macacos<span style="font-size: small;"> fazem música</span><br />
E então os macacos dançam<br />
<span style="font-size: large;">Dancem, macacos, dancem!</span><br />
Os macacos fazem muito barulho<br />
Os macacos têm tanto potencial, se eles pelo menos se dedicassem&#8230;<br />
Os macacos raspam o pêlo de seus corpos numa <span style="font-size: small;">ost</span><span style="font-size: small;">ensiva negação de sua verdadeira natureza de macaco</span><br />
Os macacos constroem gigantes colméias de macacos que eles chamam de &#8220;cidades&#8221;<br />
Os macacos desenham um monte e linhas imaginárias na terra<br />
Os macacos estão ficando sem petróleo, que alimenta sua precária civilização<br />
Os macacos estão poluindo e saqueando seu <span style="font-size: small;">planeta </span>como se não houvesse <span style="font-size: large;">amanhã</span><br />
Os macacos <span style="font-size: small;">gostam de fingir que está tudo bem</span><br />
Alguns dos macacos realmente acreditam que o universo inteiro foi feito para seu benefício<br />
Como você pode ver, esses <span style="font-size: small;">são uns macacos atrapalhados</span><br />
Estes macacos são ao mesmo tempo as mais feias e mais belas criaturas do planeta<br />
E os macacos não querem ser macacos<br />
<span style="font-size: small;">Eles querem ser outra coisa</span><br />
<span style="font-size: large;">Mas não são</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: x-small;">Ernest Cline</span></p>
<p style="text-align: left;">Referência:<br />
<a href="http://rraurl.com/cena/5497/" target="_blank">Spoken word: a voz dos poetas alternativos</a></p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2010%2F03%2F14%2Fdance-monkeys-dance%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=0.0" /></div><div>Rating: 0.0/<strong>5</strong> (0 votes cast)</div><br />]]></content:encoded>
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		<title>Reflexão sobre a tolerância</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/02/16/reflexao-tolerancia/</link>
		<comments>http://ouchmann.com/2010/02/16/reflexao-tolerancia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 04:13:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[palestina]]></category>
		<category><![CDATA[tolerancia]]></category>
		<category><![CDATA[voltaire]]></category>

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		<description><![CDATA[Trecho de Traité sur la tolerance, Cap. VI, Mélanges, p. 583-584<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=0.0" /></div><div>Rating: 0.0/<strong>5</strong> (0 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Trecho de Traité sur la tolerance, Cap. VI, Mélanges, p. 583-584</em></p>
<p>O direito natural é aquele que a natureza indica a todos os homens. Se haveis educado vosso filho, este vos deve respeito como pai e gratidão como seu benfeitor. Tendes direito aos produtos da terra que cultivastes com vossas mãos. Fizestes e recebestes uma promessa, ela deve ser cumprida.</p>
<p><em><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/BLOG_palestine2.jpg" rel="lightbox[348]"><img class="size-full wp-image-350 alignright" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Tolerância" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/BLOG_palestine2.jpg" alt="" width="250" height="168" /></a></em>Em todos os casos, o direito humano só pode estar fundado no direito da natureza; e o grande princípio, o princípio universal tanto de um quanto de outro, em toda a terra, é o seguinte: &#8220;Não faças a outro o que não queres que te façam&#8221;. Segundo esse princípio, não se pode conceber como um homem poderia dizer a outro: &#8220;Crê no que eu creio, ou no que não podes crer, ou então perecerás&#8221;. É isso que se diz em Portugal, na Espanha, em Goa. Em outros países, atualmente, fica-se satisfeito dizendo:&#8221; Crê, ou te abomino; crê, ou então far-te-ei todo mal que puder; monstro, não tens minha religião: é preciso que teus vizinhos, tua cidade e tua província te detestem&#8221;.</p>
<p>O direito à intolerância é pois absurdo e bárbaro: é o direito dos tigres, e é bem horrível que assim o seja, pois os tigres só se dilaceram para comer, e <strong>nós nos exterminamos por causa de parágrafos.</strong></p>
<p><strong><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/BLOG_palestine.jpg" rel="lightbox[348]"><img class="aligncenter size-full wp-image-349" title="Tolerância 2" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/BLOG_palestine.jpg" alt="" width="525" height="352" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: right;">&#8220;Dirijo minha luta não contra as  crenças religiosas dos homens, mas contra os que exploram a crença.  Detestemos essas criaturas que devoram o coração de sua mãe e honremos  aqueles que lutam contra elas. Acredito na existência de Deus. Em  verdade, se Deus não existisse, fora preciso inventá-lo. Meu Deus não é  um Rei exclusivo de uma simples ordem eclesiástica. É a suprema  inteligência do mundo, obreiro infinitamente capaz e infinitamente  imparcial. Não tem povo predileto, nem país predileto, nem igreja  predileta. Pois para o verdadeiro crente há, apenas, uma única fé,  justiça igual e igual tolerância para toda a humanidade.&#8221;</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Voltaire (1694 &#8211; 1778)</strong></p>
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		<title>Cuidado com os burros motivados</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/02/14/cuidado-burros-motivados/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 18:19:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[motivação]]></category>

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		<description><![CDATA[A revista Isto é publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi. O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em Administração de Empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional. &#8220;Cuidado com os burros motivados&#8221; Em &#8220;Heróis de Verdade&#8220;, o escritor combate a supervalorização das aparências diz que falta ao Brasil [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista <em><strong>Isto é</strong></em> publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi.<br />
O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em Administração de Empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional. &#8220;<em>Cuidado com os burros motivados</em>&#8221;<br />
Em &#8220;<em>Heróis de Verdade</em>&#8220;, o escritor combate a supervalorização das aparências diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Quem são os heróis de verdade?</h3>
<p>Roberto Shinyashiki &#8211; Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura.<br />
E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; O Sr. citaria exemplos?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis.Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.<br />
Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito &#8220;100% Jardim Irene&#8221;. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Qual o resultado disso?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Por quê?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.</p>
<h3>ISTOÉ -Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Está sobrando auto-estima?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa.<br />
Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia:<br />
&#8220;Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham&#8221;. Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis.<br />
Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; O conceito muda quando a expectativa não se comprova?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado.<br />
A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: &#8220;Quem decidiu publicar esse livro?&#8221; Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.</p>
<h3>ISTOÉ &#8211; Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?</h3>
<p>Shinyashiki &#8211; A sociedade quer definir o que é certo. São quatro Loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: &#8220;Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz&#8221;. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.</p>
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		<title>Questão de respeito</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/02/06/questao-de-respeito/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 22:12:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[schopenhauer]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;[...] Minha hipótese é a de que, tão logo o código de honra deixasse de valer, ninguém mais poderia evitar que, por meio de ultrajes, fosse atribuído algo a outro indivíduo, isto é, que se pudesse tirar a honra de alguém ou restituí-la ao seu dono; ao mesmo tempo, toda injustiça, rudeza e grosseria não [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=0.0" /></div><div>Rating: 0.0/<strong>5</strong> (0 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;[...] Minha hipótese é a de que, tão logo o código de honra deixasse de valer, ninguém mais poderia evitar que, por meio de ultrajes, fosse atribuído algo a outro indivíduo, isto é, que se pudesse tirar a honra de alguém ou restituí-la ao seu dono; ao mesmo tempo, toda injustiça, rudeza e grosseria não poderiam mais ser legitimadas por meio da disponibilidade para dar satisfação, ou seja, pela disputa. Assim, todos iriam entender que, por meio de ofensas, injustiças, da rudeza e da grosseria, perturba-se manifestamente a honra real e natural, isto é, aquela vinculada à opinião, que não é arbitrária (não na sua manifestação, que é arbitrária), pois tudo o que alguém fizesse só teria influência sobre sua própria honra, e não sobre a de outra pessoa.</p>
<p>Desse momento em diante, todos evitariam ofender, como hoje evitam ser ofendidos, e não faria mais sentido querer <img class="alignleft" style="border: 0pt none;" src="http://images.dizorder.multiply.com/image/1/photos/upload/300x300/RgSLxQoKCncAABze9ek1/Ft03.jpg?et=n7HTC%2CvsfueUxsBZR3VqKw" border="0" alt="" width="229" height="230" />revidar e sobrepujar qualquer ofensa de um outro, tal como hoje, se um empurrão acidental no mercado provocasse o mais forte impropério de uma vendedora de verduras ou de peixes, fizéssemos algo mais do que sorrir de sua grosseria. Desse modo, todos, em toda parte (como diz Demóstenes), evitariam descer a esse campo de batalha, no qual o vencido é evidentemente o vencedor.<br />
<span><br />
<strong>Além disso, se não fôssemos mais educados na ilusão de que um insulto é uma o</strong></span><span><strong>fensa à honra, esse insulto não provocaria mais suscetibilidade, mas recairia imediatamente sobre quem o empregou e só ofenderia a ele próprio.</strong></span></p>
<p><span><strong><br />
</strong></span></p>
<p><a href="http://dizorder.multiply.com/journal/photos/hi-res/upload/RgSNmAoKCncAAC6sY2c1"><img class="alignright" style="border: 0pt none;" src="http://images.dizorder.multiply.com/image/1/photos/upload/300x300/RgSNmAoKCncAAC6sY2c1/insult.jpg?et=a0I%2CIcPi36l%2CJ6GUy4jeKQ" border="0" alt="" width="215" height="300" /></a>Uma vez que, de acordo com tal configuração, a honra de alguém só estaria posta nas suas próprias mãos, como é natural e racional, tal indivíduo cuidaria do seu lado ativo de modo igualmente rigoroso, como hoje se cuida do passivo. Essa seria, penso eu, uma forma de introduzir o verdadeiro bon ton, e tanto mais quanto a compreensão e o entendimento pudessem expressar-se livremente, sem antes precisarmos considerar se não entrariam em conflito com opiniões da estupidez, o que tornaria necessário pôr em jogo a cabeça em que reside o bom senso contra o crânio oco em que se reside a estupidez.</p>
<p>Desse modo, a superioridade intelectual afirmaria seu primado na sociedade, que hoje é ocupado pela superioridade física, embora enobrecida, o que, para mim, constitui o bon ton e a boa sociedade. Por certo, o bon ton também ganharia com isso, pois não teríamos mais que suportar em silêncio cem pequenas, mas pesadas grosserias &#8211; que, na Inglaterra, dão-se apenas nas classes mais baixas, enquanto na Alemanha são freqüentes também nas mais altas -, porque só com perigo de vida podem ser denunciadas. Estas molestam seu ambiente até atingirem alguém que arrisque o próprio pescoço para corrigir quem as comete. Desse modo, a essas coisas seria atribuída apenas a importância que merecem segundo sua natureza. Isso e muitas outras coisas seriam as conseqüências do verdadeiro bon ton que, como tudo o que é bom, é simples e natural. [...]&#8221;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/rodape.jpg" rel="lightbox[114]"><img class="size-full wp-image-240 aligncenter" title="rodape" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/rodape.jpg" alt="" width="550" height="193" /></a></p>
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