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	<title>Ouch!mann &#187; Experiências</title>
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	<description>Portfolio de Allan Altmann</description>
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		<title>As pessoas são uma viagem</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 03:21:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ai minha cabeça!]]></category>
		<category><![CDATA[Experiências]]></category>
		<category><![CDATA[américa do sul]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[el calafate]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Viajei com a família entre o Natal e Ano Novo (2010-11). Fomos, de carro, até o &#8220;Fin del Mundo&#8221;. Passamos por lugares extraordinários desde os Pampas, passando pelos Andes até chegar à Patagônia. Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, era o objetivo, mas o quente mesmo foram as geleiras colossais do Parque dos Glaciares, [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Viajei com a família entre o Natal e Ano Novo (2010-11). Fomos, de carro, até o &#8220;Fin del Mundo&#8221;. Passamos por lugares extraordinários desde os Pampas, passando pelos Andes até chegar à Patagônia. Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, era o objetivo, mas o quente mesmo foram as geleiras colossais do Parque dos Glaciares, a beleza romântica do Parque Torres del Paine e a escalada ao vulcão Villarrica em Pucón, no Chile.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1338" title="Familia Altmann" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/DSC01584.jpg" alt="" width="600" height="343" /></p>
<p>Só que este post não se refere aos lugares e sim ao francês, ao maliano (natural de Mali), ao chileno, a um casal de alemães e aos aventureiros paulistas que encontrei entre os 12.500km que rodamos.</p>
<h2><a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=642219559#!/profile.php?id=717606598" target="_blank"><strong>Benoit Duchateau-Arminjon</strong></a></h2>
<p>O dia era 7 de janeiro de 2011. Estávamos em El Calafate, cidade a 80km do Parque dos Glaciares, sul da Argentina. Fazíamos um passeio em um catamarã pelo Lago Argentino, curtindo o visual e os glaciares.</p>
<p>Logo no início da manhã, um rapaz meio atordoado, sozinho, sentou-se em nossa mesa. Largou a mochila e simplesmente desabou sobre os próprios braços &#8211; daquela mesma forma que fazíamos no colégio, durante a primeira aula de segunda-feira.</p>
<p>O barco seguiu pelo lago e ao passo que o cenário ficava cada vez mais deslumbrante, os icebergs chegando perto e as paredes dos glaciares se agigantando à nossa frente&#8230; lá estava o cara, dormindo. Percebi que em determinado momento, com o barco parado bem próximo às geleiras, ele foi até o <a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/navio.jpg" rel="lightbox[1303]">convés*</a>, próximo à <a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/navio.jpg" rel="lightbox[1303]">proa*</a>. Só que lá, ele se sentou encostado no limite da <a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/navio.jpg" rel="lightbox[1303]">ponte*</a> e dormiu de novo.</p>
<p>Voltou então para o interior do catamarã e&#8230; caiu no sono mais uma vez. Nisso já comentávamos: &#8220;poxa, o cara paga uma grana para fazer esse passeio e só dorme!&#8221; ou &#8220;encheu a cara ontem e agora nem faz ideia do que está perdendo&#8230;&#8221; e por aí foi.</p>
<p>Ao final do passeio, mais descansado, o sujeito levantou o tronco e abriu os olhos. Quando voltei à nossa mesa, minha irmã exclamou: &#8220;Vem cá, ele fala francês!&#8221; (captamos o momento em video!). Nesse momento me sentei à sua frente e comecei a usar  os 25,87% de francês que eu domino.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" src="http://www.youtube.com/embed/j0KVQntj7aI" frameborder="0" width="600" height="450"></iframe></p>
<p>Benoit Duchateau-Arminjon nasceu em Savoie, na França. Após largar o emprego na administração da gigante rede de hotéis, Accor &#8211; em Bangkok (Tailândia) -, foi para Phnom Penh, capital do Camboja. Lá ele testemunhou as consequência do fim da ditadura de Pol Pot (1989) e deu início à fundação &#8220;<a title="Krousar Thmey" href="http://www.krousar-thmey.org/e/index.html" target="_blank">Krousar Thmey</a>&#8220;, que significa <em>Nova Família</em> na língua Khmer (Camboja).</p>
<p>Resumindo, mais de 3,5 mil crianças cambojanas já foram auxiliadas pelo trabalho de Benoit. Desde meninas que se prostituiam nas ruas até o ensino de braile em Khmer. Enfim, um trabalho devidamente reconhecido pela  JCI Internacional e Unesco. Não de graça, Benoit é reconhecido como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_The_Outstanding_Young_Persons_of_the_World" target="_blank">&#8220;um dos jovens mais extraordinários do mundo&#8221;</a>.</p>
<p>Hoje, aos 46 anos, vive da renda de dois hotéis que tem em Phnom Penh e mora em Buenos Aires. Como mostra no video, fala seis línguas e é uma figura muito simpática e amistosa. É uma honra tê-lo encontrado.</p>
<h2>Karim Diarra</h2>
<p>Em um momento de descontração, olhando fotos e conversando numa área aberta do hostel em El Calafate, passou por mim um sujeito alto e de pele bem negra. Pensei no mesmo instante: &#8220;que bacana, um turista africano&#8221;. Até então nunca havia encontrado turistas africanos em nossas viagens.</p>
<p>Comecei a encontrá-lo com frequência. Então descobri: Karim, natural do Mali, trabalha no hostel.</p>
<p>O que fazia aquele cara em El Calafate, na Argentina? Karim sempre sonhou em estudar jornalismo, mas como ele mesmo me contou, no Mali você não estuda o que quer. É o que o governo manda. E ele precisou estudar Medicina Veterinária. Desiludido com as perspectivas, foi para a Argélia, depois Tunísia, seguiu para a Espanha &#8211; na época da bolha econômica &#8211; depois tentou a vida em São Paulo até que finalmente pousou em El Calafate.</p>
<p>Casou-se com uma argentina e tem dois filhos. Além de trabalhar como &#8220;faz tudo&#8221; no hostel Las Cabañitas, Karim também dá aulas de inglês e francês. E isso é outra curiosidade bacana. Além das duas línguas, você pode se comunicar com ele em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_bambara" target="_blank">bambara</a>, dioula (ambos dialetos africanos), árabe, espanhol e &#8220;portunhol&#8221; (veja no video). O cara é extremamente educado, simpático e solícito.</p>
<p><center><iframe title="YouTube video player" src="http://www.youtube.com/embed/uTBpcX9Ob2A" frameborder="0" width="600" height="350"></iframe></center>&nbsp;</p>
<h2>Joel, Johannes e Catherine</h2>
<p>O primeiro, chileno nascido em Temuco (região do terremoto do início deste ano) é guia em Pucón. Joel trabalha numa agência de turismo da cidade e sobe e desce o vulcão Villarrica &#8220;só&#8221; todos os dias. São quase três quilômetros de altura alcançados em 5h com uma mochila abastecida de equipamentos e alimentos, talvez uns 6kg ou 7kg. Por isso sua paciência e simpatia me chamaram a atenção.</p>
<p>Os dois seguintes são alemães de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Heidelberg" target="_blank">Heidelberg</a>. Johannes acaba de se formar em Arquitetura e Catherine em Psicologia. Ele, gente boa e ela uma graça! Os dois namorados tiraram por volta de três meses para rodar a América do Sul. Além da língua materna, ele fala muito bem espanhol e inglês e ela apenas o inglês. No cume do vulcão eles me pediram dicas de lugares para conhecer no Brasil. Mas queriam saber de lugares bacanas e menos célebres. Eu procurei na memória naquele momento algum lugar que pudesse ser interessante. Apenas lembrei de Jericoacoara e Búzios, mas um israelense que ouvia nossa conversa comentou de Campos do Jordão, porque um familiar dele já havia conhecido e recomendado.</p>
<p><center><iframe title="YouTube video player" src="http://www.youtube.com/embed/lEZJFDmPXhI" frameborder="0" width="600" height="350"></iframe></center><br />
&nbsp;</p>
<h2><a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=642219559#!/profile.php?id=699961414" target="_blank">Ducila</a> e <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=642219559#!/profile.php?id=100001098337456" target="_blank">Luiz</a></h2>
<p>Uma pena ter tido tão pouco tempo para conhecer esses dois aí. Eles chegaram a El Calafate na noite que precedeu nossa partida. Adeptos de turismo de aventura, os dois são bastante rodados já. Ela teve a oportunidade de ficar 20 dias em Israel e ele já conheceu os Andes lá em cima, no Equador.</p>
<p>Infelizmente os dois não tiveram a mesma sorte que eu. Explico:<br />
Antes de ir pra El Calafate, estive em Torres del Paine (Chile). Dois dias após minha partida de El Calafate, já seguindo de volta para o Brasil (faltavam ainda 4.000km mas enfim&#8230;), Ducila e Luiz foram para Puerto Natales, para curtir as famosas Torres del Paine. Chegando lá, <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1410986-7823-TURISTAS+BRASILEIROS+ESTAO+PRESOS+NO+CHILE+POR+CAUSA+DE+GREVE,00.html" target="_blank">a greve dos chilenos já havia começado</a>.</p>
<p>Foram cinco dias presos, com todos os mercados, transportes e saídas da cidade fechadas por manifestantes. Como ela mesmo conta: &#8220;Eu já estava angustiada por ficar lá, então resolvi ir a pé até o Rio Turbio (30km de Puerto Natales). O Luiz e um casal de americanos concordou em fazer essa loucura. Chegou um momento que a mochila parecia ter 100kg. Após caminhar uns cinco quilômetros, uma van furou o bloqueio e deu carona para gente. Nem acreditamos! Havia mais de 100 pessoas na estrada tentando chegar ao Rio Turbio! Depois de muito penar, chegamos a El Calafate. Por sorte conseguimos um quarto de hotel, pois todas as cidades argentinas ao redor estavam congestionadas devido a greve chilena. Passei muito mal de ansiedade. Enfim, não conseguimos fazer a viagem que gostaríamos, mas voltamos sãos e salvos a São Paulo.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1344" title="A gente, com o Luiz e a Ducila" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ducila-e-luiz.jpg" alt="" width="550" height="413" /></p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2011%2F02%2F17%2Fas-pessoas-sao-uma-viagem%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></content:encoded>
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		<title>Sorte Inca</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 00:24:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Experiências]]></category>
		<category><![CDATA[experiência]]></category>
		<category><![CDATA[incas]]></category>
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		<description><![CDATA[Em 1533 o pessoal liderado por Francisco Pizarro basicamente determinou sua ocupação em terras sulamericanas. O último imperador Inca resistiu à conversão cristã, então não foi poupado, foi executado. Tratados entre Portugal e Espanha, ocupações e muitos anos depois, a cidade perdida de Machu Picchu foi encontrada. Uma expedição de 1911, liderada pelo professor americano [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=4.2" /></div><div>Rating: 4.2/<strong>5</strong> (3 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1533 o pessoal liderado por Francisco Pizarro basicamente determinou sua ocupação em terras sulamericanas. O último imperador Inca resistiu à conversão cristã, então não foi poupado, foi executado.</p>
<p>Tratados entre Portugal e Espanha, ocupações e muitos anos depois, a cidade perdida de Machu Picchu foi encontrada. Uma expedição de 1911, liderada pelo professor americano Hiram Bingham abriria caminho para o estudo e exploração do maior ponto turístico do Peru e desde 2007 uma das Sete Maravilhas do Mundo.</p>
<p>Após seguidos anos de &#8220;praia nas férias&#8221;, minha família decidiu que a virada de 2007/08 seria diferente. Na parceria da família Bobatto (madrinha, &#8220;madrinho&#8221; e primos), em vez de seguir rumo ao leste clássico (Camboriú, Meia-Praia, Caiobá etc), pegamos rumo oposto e viajamos ao famoso desconhecido. De carro e viajando pelo interior da Argentina, fomos ao encontro de cidades como Salta, San Salvador de Jujuy e San Pedro de Atacama, gratas surpresas. Passamos pela Cordilheira dos Andes, conhecemos o extremo norte do Chile e então invadimos o Peru subindo até Cuzco para, enfim, encontrar Machu Picchu, nosso objetivo final.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-756" title="Salar Salinas Grandes" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_5686.jpg" alt="" width="570" height="456" /></p>
<p>É necessário certo trabalho logístico para ir de Cuzco a Machu Picchu. Primeiro vai-se de carro até Ollantaytambo. De lá, embarca-se em um trem que vai até Águas Calientes, cidadezinha ao pé de Machu Picchu. Então para chegar aos quase 2500m de altura onde está a &#8220;Cidade Perdida&#8221;, pega-se um ônibus.</p>
<p>Tudo começou por volta das 4h da manhã do dia 1º de janeiro de 2008. Seríamos o primeiro grupo a chegar a Machu Picchu, bem cedo na manhã. De van, fomos até Ollantaytambo e então pegamos o trem. Poucos minutos após nossa partida em direção a Águas Calientes o trem parou. Um &#8220;derrumbe&#8221; de pedras tinha danificado parte dos trilhos. Tivemos que esperar o conserto antes de prosseguir, mas não sabíamos que isso levaria 6 horas e que esse tempo influenciaria muito o desfecho de nossa visita a Machu Picchu.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-757" title="Caminho a Águas Calientes" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6427.jpg" alt="" width="570" height="380" /></p>
<p><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6431.jpg" target="_blank" rel="lightbox[727]"><img class="alignleft size-medium wp-image-758" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Aguardando no trem..." src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6431-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>O que fazer por 6 horas dentro de um trem no caminho entre Ollantaytambo e Águas Calientes? Conversar com as outras pessoas que estão na mesma situação!</p>
<p>Conhecemos quatro turistas alemães e uma família de São Bento do Sul (SC), que já tinha ouvido falar de Marechal Rondon por causa do <a href="http://www.willmutt.com.br" target="_blank">Willmutt</a>. Mas foram com os alemães que meu pai adorou &#8220;brincar&#8221;. Quando descobriram que aquele sósia do Bill Gates falava alemão então&#8230;</p>
<p>Com o caminho liberado, prosseguimos viagem. Chegamos a Águas Calientes próximos da hora do almoço, bastante atrasados em relação ao horário pré-programado, então mal comemos e já embarcamos no ônibus que sobe a montanha onde está Machu Picchu.</p>
<p>O lugar é de beleza única! A localização da cidade, sua arquitetura, agricultura e o conhecimento astronômico demonstrado pelos Incas em pleno séc. XIV e XV é fascinante. Vale até mesmo mais que uma visita!</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-759" title="Machu Picchu" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6469.jpg" alt="" width="571" height="348" /></p>
<p>Passamos o dia lá. Veronica, nossa guia, apresentou todo o lugar, contou algumas histórias e no final até despejou uma garrafa de vinho inteira em um local de oferendas.</p>
<p>Por volta das 21h voltamos para Águas Calientes. O maior deus Inca, o Sol, já havia nos deixado, mas foi possível pelo menos jantar com calma.  Próximo da meia-noite voltamos a Ollantaytambo, hora de pegar a van de volta ao hotel em Cuzco. Além de toda a família, na van estavam aqueles quatro amigos alemães. Um veio do lado do motorista e os outros três logo atrás. Minha família ocupou o restante da van. O clima estava gostoso, meio friozinho, então foi entrar na van e o pessoal começou a relaxar. Eu estava quase dormindo quando, passando por uma lombada na vila Urubamba, uma porrada no vidro lateral da van me acordou de susto.</p>
<p>Eram dois nativos.<br />
Em suas mãos, pedras.<br />
Em seus olhos, mais <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esclera" target="_blank">esclera</a> que íris e pupila.</p>
<p>Completamente insanos, eles batiam com as pedras na lateral da van. Um deles começou a discutir com o motorista, outro nativo. É o momento que deu-se início o &#8220;cabo-de-guerra Inca de sorte e revés&#8221;.</p>
<p>O dano nos trilhos em Águas Calientes foi um revés, nada comparado <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1464473-5602,00-CHEGA+A+O+NUMERO+DE+MORTOS+NAS+ENCHENTES+PROXIMAS+A+MACHU+PICCHU.html" target="_blank">às enchentes de alguns meses atrás</a>, claro. A abordagem desses nativos furiosos foi mais um azar nosso, mas tivemos sorte também. O nativo, que discutia com o motorista decidiu atirar uma das pedras que segurava. Ela passa pela janela da porta, que estava aberta e quebra a janela da porta do carona alemão. Sorte dele, a pedra passa sem atingí-lo.</p>
<p>Para nosso azar, isso foi o estopim da quebradeira. Nosso motorista, sem opção, acelera rapidamente a van ao mesmo tempo que começam a jogar pedras nos vidros laterais do carro. Nossa sorte aí foi que, enquanto discutiam, fechamos as cortinas. Essa iniciativa pode ter me salvado de ferimento bem grave. Uma &#8220;senhora&#8221; pedra foi jogada justamente onde eu estava sentado, mas a cortina segurou os estilhaços do vidro e a própria pedra, que certamente me atingiria. Aqueles três alemães sentados logo atrás do motorista já não tiveram a mesma sorte. O mais próximo da janela foi atingido na cabeça, provocando um pequeno corte. Azar o dele.</p>
<p><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6606.jpg" target="_blank" rel="lightbox[727]"><img class="alignright size-medium wp-image-761" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="&quot;Aftermatch&quot;" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6606-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Mas ele teve sorte por não ter acontecido o mesmo que <a href="http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1482238-10406,00-INDIOS+ATINGEM+MULHER+COM+PEDRA+NO+PARANA.html" target="_blank">sofreu aquela estudante há poucas semanas atrás em Londrina</a>.</p>
<p>Alguns metros percorridos e encontramos dois ônibus parados, também quebrados. Nosso motorista parou e saiu simplesmente, nos deixando sozinhos. Momento depois uma das guias dos ônibus a nossa frente, toda solícita: <em>&#8220;Fiquem calmos que eu já chamei a polícia e assistência médica. Logo virão.&#8221;</em> Após traduzir para o alemão ferido, ele exclamou transtornado: <em>&#8220;Não vou para nenhum hospital. Daqui não!&#8221;</em></p>
<p>Outro alemão disse pra gente: <em>&#8220;Achei que isso acontecesse no Brasil!&#8221;</em>. Meses depois eles conheceriam o carnaval carioca. Claro que no momento não falamos que <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1513595-5602,00-TRAFICANTES+COLOCAM+FOGO+EM+MICROONIBUS+NO+RIO+E+FICAM+FERIDOS.html" target="_blank">no Brasil poderia ser pior</a>.</p>
<p>Passou-se mais de 30min e nada de polícia ou ambulância. De repente um grupo começa a surgir no breu da rua, vindo em nossa direção. Era nosso motorista, junto com os motoristas dos ônibus atingidos e os dois baderneiros, seguros pelos colarinhos. No melhor estilo peruano, os dois são atirados para dentro do compartimento de malas de um dos ônibus e levados por todos nós à delegacia. Azar o deles.</p>
<p>Depois de tudo resolvido, o motorista nos explicou que o motivo de tudo aquilo não foi uma tentativa de assalto, mas uma &#8220;represália&#8221; por termos excedido a velocidade de 35km/h ao passar pela vila. A conta da van não sei quem pagou. Azar o dele.</p>
<p>No outro dia encontramos estilhaços de vidros em nossos bolsos e dentro dos tênis, mas ninguém se feriu com gravidade. Sorte nossa.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-762" title="Um dos ônibus atingido" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6604.jpg" alt="" width="570" height="380" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-763" title="Lateral da van" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6608.jpg" alt="" width="570" height="492" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-764" title="...e minha sorte Inca" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/IMG_6609.jpg" alt="" width="570" height="380" /></p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2010%2F03%2F03%2Fsorte-inca%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=4.2" /></div><div>Rating: 4.2/<strong>5</strong> (3 votes cast)</div><br />]]></content:encoded>
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		<title>Tempo é relativo</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/02/19/tempo-relativo/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 15:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Experiências]]></category>
		<category><![CDATA[copa 98]]></category>
		<category><![CDATA[experiência]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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		<description><![CDATA[Em 1998 aconteceu a Copa do Mundo da França. Nesta época fui com o pessoal da Study Center (escola de inglês) e outros cinco estudantes para os Estados Unidos. Não, não era para assistir a Copa. Foram 30 dias dedicados a melhora de nosso inglês. Ser ano de Copa foi apenas coincidência. E não poderia [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=4.0" /></div><div>Rating: 4.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1998 aconteceu a Copa do Mundo da França. Nesta época fui com o pessoal da Study Center (escola de inglês) e outros cinco estudantes para os Estados Unidos. Não, não era para assistir a Copa. Foram 30 dias dedicados a melhora de nosso inglês. Ser ano de Copa foi apenas coincidência.</p>
<p>E não poderia ter sido em melhor época. Ficamos hospedados em um campus da Universidade da Flórida e o clima àquela época (junho/julho) era ameno, agradável.</p>
<p>Tínhamos curso de inglês na Universidade e muitas atividades extraclasse, como visitas a museus, parques temáticos, enfim, turismo. A Copa estava acontecendo, mas nós não ficamos em função de assistir aos jogos do Brasil, priorizamos nossas atividades.</p>
<p>Mas aí o Brasil foi pra final, contra a França.</p>
<p>Então todo pessoal foi reunido no início da manhã do dia em que o jogo seria transmitido. Durante o café, o pessoal do Study Center, organizadores da excursão, perguntou se gostaríamos de assistir àquele que seria o último jogo da Copa. Fizemos questão, já que era a final da Copa e o Brasil estava nela!</p>
<p>O jogo começaria às 13h (horário americano) e ficou então combinado que almoçaríamos e assistiríamos ao primeiro tempo em um pub e depois seguiríamos para a casa de um amigo dos organizadores para assistir à metade final. Por volta das 16h (horário americano) voltaríamos ao campus para continuar com outras atividades.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="570" height="445" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/vSYrN8CJTt4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="570" height="445" src="http://www.youtube.com/v/vSYrN8CJTt4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">Foi então que uma estudante, que fazia parte do grupo, exclamou: <em>&#8220;Legal! Quando nós voltarmos pra cá, vou ligar pra casa e dizer o resultado do jogo pro meu pai!&#8221;</em>. No Brasil o jogo começaria às 16h (horário brasileiro).</p>
<p style="text-align: left;">Outro estudante do grupo que ouviu a exclamação não segurou a gargalhada chamando a atenção de todo mundo. Muitos não haviam ouvido a &#8220;pérola&#8221;. Sua própria autora levou alguns minutos até entender o que se passava. Assim que todos entenderam o que tinha acontecido, o coro de risadas aumentou e a estudante ao passo que se deu conta do que havia falado só coube ensaiar um sorriso amarelado.</p>
<p style="text-align: left;">Quem foi que inventou esse negócio de fuso horário, ein? =)</p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2010%2F02%2F19%2Ftempo-relativo%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=4.0" /></div><div>Rating: 4.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></content:encoded>
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		<title>Medo e suas variantes</title>
		<link>http://ouchmann.com/2010/02/17/medo/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 23:54:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Experiências]]></category>
		<category><![CDATA[experiência]]></category>
		<category><![CDATA[londres]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[woolich]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 13 de maio de 2006 O Rappa se apresentaria em Londrina. Sempre gostei muito da banda e estava fazendo expectativa durante o dia para a festa que vinha. Uma hora antes do show ter início peguei o carro e segui pela avenida principal de Londrina em direção ao local da festa. Próximo do Mercado [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (3 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 13 de maio de 2006 O Rappa se apresentaria em Londrina. Sempre gostei muito da banda e estava fazendo expectativa durante o dia para a festa que vinha. Uma hora antes do show ter início peguei o carro e segui pela avenida principal de Londrina em direção ao local da festa.</p>
<p><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=londrina&amp;sll=-22.593726,-34.189453&amp;sspn=55.667172,79.013672&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=Londrina+-+PR,+Brasil&amp;ll=-23.334203,-51.167568&amp;spn=0.00364,0.004823&amp;t=h&amp;z=18" target="_blank">Próximo do Mercado Guanabara</a>, a pouco mais que 60km/h sou fechado de súbito por um bêbado e sua Ranger duplada que me deixou sem alternativa. O fato aconteceu em milésimos de segundo, mas a consciência de que não haveria o que fazer e que eu iria bater me fez sentir medo e meu corpo se preparou para o impacto.</p>
<p>Ao pisar no freio e perceber que o carro travou os pneus e seguia reto na porta do motorista bêbado, instintivamente soltei o pé do freio e tentei contorná-lo pela traseira. Acertei o diferencial traseiro da camionete. <a href="http://spf.fotolog.com.br/photo/31/39/99/dizorder/1147658105_f.jpg" target="_blank" rel="lightbox[463]">A porrada foi boa, talvez a uns 50km/h.</a> E então meu querido &#8220;Delorean&#8221; estava morto. Carro velho e importado, a receita perfeita para um acidente leve com perda total. Minha sorte nesse caso foi que o motorista era empregado do dono da Ranger. Nada mais nada menos que o senhor Paulo Pimentel. O seguro, dele, pagou tudo, claro!</p>
<p>Hoje, ao analisar aquele medo sentido instantes antes do impacto, garanto que foi algo gostoso de sentir. Adrenalina, algo talvez parecido com um salto de Bungee Jump ou um passeio por uma montanha russa mais ousada. As consequências de ter batido meu carro é que não foram nada boas.</p>
<h2>Mas tem como ser pior</h2>
<p>Ao final do programa IGE, tive a oportunidade de conhecer outros países e cidades de toda a Europa. Há uma semana de voltar para o Brasil, quando eu pensava que tudo que tinha que acontecer já havia acontecido, vem esse fato em Londres e me testa. Dessa vez o medo que me tomou o corpo foi completamente diferente daquele &#8220;friozinho gostoso na barriga pré-impacto&#8221; contado acima.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-494" style="margin: 5px 10px;" title="phoneLondon" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/phoneLondon.jpg" alt="" width="250" height="457" />Eu estava hospedado na casa da prima da Regina, integrante do IGE e que já havia voltado para o Brasil. A casa dela fica em Woolwich, 1h 30min do centro de Londres. Na madrugada do dia 14 de julho de 2008 eu tinha voo marcado do Aeroporto Luton para o Charles de Gaulle, em Paris. Ficaria minha última semana na Europa antes de voltar ao Brasil.</p>
<p>O voo saía as 4h da manhã. Alguns minutos antes da meia noite eu saí do apartamento. Eu deveria pegar um <a href="http://www.thamesclippers.com/" target="_blank">clipper no Tâmisa (aqueles barcos rápidos)</a>, atravessar o rio, pegar um trem do outro lado, depois um Underground (metrô) e depois um ônibus para o Luton. Teoricamente complicado, mas eu já havia ido e voltado tantas vezes do centro que o trajeto já parecia familiar.</p>
<p>Com toda minha bagagem (um mochilão e uma mochilinha) em mãos, segui para a beira do rio Tâmisa para pegar o clipper. Passou-se da 0h, hora que supostamente sairia o último clipper. Ele não apareceu. Um friozinho pouco confortável se apoderou da minha barriga.</p>
<p><em>&#8220;O que vou fazer?&#8221;</em> Pensei. <em>&#8220;Vou voltar até o apartamento e pedir ajuda.&#8221;</em> Chegando de volta ao apartamento&#8230; como eu entro? Como eu os chamo? A entrada do prédio não tinha um interfone. Havia um monte de número ao lado da porta, mas eram para os moradores inserirem suas senhas de acesso ao prédio. Pronto, não havia o que eu fazer. Pensei em gritar, dar a volta, fazer um escândalo&#8230; sei lá, mas que vergonhoso seria, né?</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-484" title="woolwich" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/woolwich-e1266451117569.jpg" alt="" width="570" height="379" /><span style="font-size: xx-small;">Visão do centro de Londres a partir de Woolich</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Voltei-me para o lado oposto ao rio, para o interior do bairro, respirei fundo e segui rumo ao desconhecido. Atrás de informação para pegar um ônibus pela primeira vez lá. O silêncio das ruas, somado a sua escuridão devido a pouca iluminação, começou a fazer o medo extremo que já havia habitado meu corpo todo se tornar resignação. Comecei a lembrar das notícias na TV de dias anteriores. <em>&#8220;Young man stabbed&#8221;</em> daqui, <em>&#8220;Gang fight&#8230;&#8221;</em> dali. O bairro estava nos noticiários devido a vários esfaqueamentos entre gangues.</p>
<p>Lembrar disso só me fez ter a certeza que encontraria <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Jean_Charles_de_Menezes" target="_blank">Jean Charles de Menezes</a> muito em breve.</p>
<p>Mas continuei seguindo, com um pouco mais de 30kg de bagagem, até o centro de Woolwich. Encontrei na calada da noite uma senhora fechando seu estabelecimento, um bar ou algo do gênero. <em>&#8220;Por favor, como eu faço para ir até o Aeroporto Luton?&#8221;</em>, perguntei já nervoso. <em>&#8220;Você precisa pegar um ônibus daquele lado da rua&#8221;</em> apontando para o lugar onde eu deveria ir. Fui até lá e esperei o primeiro ônibus. Assim que chegou perguntei ao motorista: <em>&#8220;Esse ônibus vai até o O2?&#8221;</em> Lá eu pegaria metrô para o centro de Londres. <em>&#8220;Não, você precisa pegar a linha número tal daquele lado lá.&#8221;</em> Apontando para onde eu deveria ir.</p>
<p>Lá fui eu novamente. As distâncias entre esses pontos não passava de 200m em um ambiente bastante claro e aberto. Chegando ao novo ponto indicado pelo motorista, encontro um ônibus desligado e o motorista cochilando. Pergunto então para ele: <em>&#8220;Este ônibus que vai para o O2?&#8221;</em> Irritado por ter sido incomodado o motorista aponta para uma avenida escura e bastante larga. <em>&#8220;A uns 500m naquela direção, pegue o ônibus número tal&#8221; </em>(Claro, ele disse em jardas, mas depois conferi que eram próximos a 500m).</p>
<p><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/onibuslondrs.jpg" rel="lightbox[463]"><img class="alignright size-medium wp-image-487" title="onibuslondrs" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/onibuslondrs-300x182.jpg" alt="" width="300" height="182" /></a>Com as pernas tremendo lá fui eu em direção àquela avenida larga e escura. Chegando ao ponto, um rapaz já aguardava um ônibus lá. Respirei fundo e tentei esconder meu claro desespero. Sentei na outra ponta do banco, larguei minhas coisas de forma desleixada, pra mostrar para ele que eu estava completamente &#8220;tranquilo&#8221;. Ele nem me deu bola.</p>
<p>Não havia mais nada na rua. Pessoas, carros&#8230; Era o silência completo e o breu envolvendo tudo. Longe na avenida eu percebi um ônibus chegando. Assim que consegui identificar o número, o alívio venceu a queda de braço com o nervosismo. Era este o ônibus. Entrei, confirmei com o motorista e procurei uma poltrona.</p>
<p>Eu tinha um passaporte que era válido para ônibus, trens e undergrounds. Mas não tinha mais libras. Ah! Claro, tinha sim, 5 míseras libras. O ônibus seguiu até o <a href="http://wwp.millennium-dome.com/images/millennium-dome/millennium-dome-aerial-view-river-thames.jpg" target="_blank" rel="lightbox[463]">O2, famoso centro de entretenimento de Londres</a>. Chegando lá, corri para a entrada do Underground, que seguiria para o centro e meu desespero poderia ter fim.</p>
<p><em>&#8220;Este underground está em manutenção até 4h da manhã. Tente a linha alternativa bla, bla, bla&#8230;&#8221;</em> Nem lembro o fim do aviso. Por causa das Olimpíadas que Londres vai sediar, muitos pontos de metrô estão sendo reestruturados. Minha visão ficou turva na hora. A sensação de medo que estava perdendo a queda de braço para a sensação de alívio dá uma reviravolta digna de <a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/falcaoOVER.jpg" target="_blank" rel="lightbox[463]">Falcão depois de virar o boné</a>.</p>
<p>Nervoso como nunca estive antes, a boca extremamente seca, a minha saliva, quando conseguia se acumular, parecia um chiclete. Sem dinheiro, ansioso e perdendo a esperança&#8230; até que ouvir um grupo falando em português próximo a um ponto de ônibus me animou, ainda no O2. Aproximei-me, olhei para eles. Pararam de falar e olharam pra mim. <em>&#8220;Vocês são brasileiros?&#8221;</em>, perguntei com a voz trêmula. Três homens e uma mulher. <em>&#8220;Sim&#8221;</em>, respondeu um deles. Abrindo mão da educação que eu havia recebido, nem deixei eles continuarem a conversa: <em>&#8220;Vocês podem me ajudar a chegar no aeroporto Luton?&#8221;</em> Entreolharam-se e começaram a especular qual melhor forma de eu chegar até lá. Eles não tinham certeza.</p>
<p>Até que o mais velho entre eles, um cara de no máximo 40 anos, me convidou para pegar o mesmo ônibus deles. Entramos no ônibus e todos subiram para o segundo andar. Eu fiquei embaixo, logo atrás do motorista. Abracei minhas coisas e fiquei lembrando em como era bom tomar água. De repente esse senhor aparece na escada e me convida pra subir com eles. Começamos a conversar, já que a viagem dali até o centro de Londres levava próximo a 40 min. Foi então que descobri que esse senhor já havia trabalhado em Londres com uma menina de Marechal, que por coincidência eu conheço, a Fernanda Maffei.</p>
<p>Depois de alguns minutos de conversa você pensa que eu havia me acalmado, certo? Não. Continuava tenso. Com a boca seca de tal forma que eu tinha que cuidar para não me morder.</p>
<p>Fomos chegando ao centro da cidade e o pessoal começou a descer. Primeiro foi a moça. Desejou-me sorte. Depois o cara que já conhecia Marechal Cândido Rondon. Poucos minutos mais tarde descemos eu e os outros dois camaradas que faziam parte do grupo. Nos postes haviam informações de rotas de ônibus. Eles me ajudaram a procurar qual seria o ônibus que levava ao Luton. Certo momento um deles encontrou. <em>&#8220;Você pega tal ônibus até tal ponto. Lá você vai encontrar outro que leva ao Luton&#8221;</em>. Agradeci a ajuda. <em>&#8220;Eu moro pra lá&#8221;</em> apontando para direção oposta de onde eu devia ir. <em>&#8220;Pegue essas 5 libras e boa sorte!&#8221;</em> Fiquei, então, 5 vezes mais agradecido. Eu tinha agora 10 libras, fome e muita, muita sede. Eu não havia pedido dinheiro algum. O cara sacou a situação e decidiu me ajudar.</p>
<p>Seguindo para a direção onde eu pegaria o ônibus, o outro cara falou: <em>&#8220;Quer saber, vou acompanhar você.&#8221;</em> E veio comigo. Pegamos o ônibus em direção ao ponto onde outro levava ao Luton. No caminho passamos próximo ao National Gallery e de longe vimos a estátua de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Horatio_Nelson,_1st_Viscount_Nelson" target="_blank">Nelson, importante figura na história da marinha inglesa</a>. <em>&#8220;Ah! Olha lá a estátua do Nelson!&#8221;</em>, exclamei pro camarada. <em>&#8220;O que é isso?&#8221;</em> Ele retrucou. Ele nunca havia visto a National Gallery ou mesmo a estátua de Nelson, que ele também não sabia quem era.</p>
<p>Percebi que ele era um humilde brasileiro que estava em Londres para ralar muito, ganhar em libra e sonhar com uma vida melhor, aqui no Brasil.</p>
<p>Chegamos ao local onde o ônibus para o Luton saía. <em>&#8220;Você descobre onde fica?&#8221;</em>, perguntei ao camarada. <em>&#8220;Eu não sei falar inglês&#8221;</em>, ele respondeu. Mas não foi difícil, um quarteirão movimentado, duas perguntas depois, lá está. O ônibus fazia o trajeto centro/Luton e custava 14 libras. Perguntei ao motorista se ele aceitava Euro. Disse que não e já se virou para uma mulher que iria embarcar.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Luton.jpg" rel="lightbox[463]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-486" title="Luton" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Luton-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><span style="font-size: xx-small;">Já no Luton, após uma madrugada inesquecível</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Eu tinha 10 libras. O camarada percebeu que eu estava de novo encrencado e me deu outras 10 libras. O cara me salva a madrugada toda com informação, em vez de ir pra casa dele vai comigo até um lugar onde ele nunca tinha ido e depois ainda me dá 10 libras (na época quase 40 reais) sem nunca ter me visto antes na vida. O que eu fiz? Dei um grande abraço nele e agradeci completamente emocionado.</p>
<p>Agora não tinha mais erro. Aquele ônibus me deixaria na porta do aeroporto.</p>
<p>Cheguei 2h antes do check-in e ainda com dinheiro para comprar algo para comer e beber. A única coisa que sinto é por não lembrar do nome de nenhum deles e também de não ter anotado e-mail ou informação alguma. Adoraria poder entrar em contato com eles e devolver as 15 libras que me foram emprestadas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://ouchmann.com/wp-post-thumbnail/luton-TI7EmC.jpg" alt="" /><img class="aligncenter size-full wp-image-485" title="aguaLuton" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/aguaLuton-e1266450992807.jpg" alt="" width="570" height="380" /><br />
Depois de sofrer com o nervosismo e a sede, uma garrafa d&#8217;água mais que especial.</p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2010%2F02%2F17%2Fmedo%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (3 votes cast)</div><br />]]></content:encoded>
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		<title>Estigma de uma geração</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 18:06:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Experiências]]></category>
		<category><![CDATA[alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[experiência]]></category>
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		<category><![CDATA[ige]]></category>
		<category><![CDATA[nazismo]]></category>
		<category><![CDATA[rotary]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Alemanha, o nazismo marcou demais toda uma geração. Como ferro quente no lombo, a imagem da suástica, o bigodinho entre outras insígnias são estandartes da dor para muitos que viveram direta ou indiretamente a experiência da II Grande Guerra. Creio que tanto para mim quanto para o restante do grupo do IGE que foi [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (2 votes cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na Alemanha, o nazismo marcou demais toda uma geração. Como ferro quente no lombo, a imagem da suástica, o bigodinho entre outras insígnias são estandartes da dor para muitos que viveram direta ou indiretamente a experiência da II Grande Guerra.</p>
<p>Creio que tanto para mim quanto para o restante do grupo do IGE que foi para a Alemanha, a vontade de tocar nesse assunto com o pessoal de lá era esperado com certa ansiedade. Talvez pelo fato de eu ter alguma ligação, mesmo que distante, com o povo alemão  (ascendência Lemke Altmann) e porque aquele foi o mais importante acontecimento do século XX.</p>
<p>Esperava ser apresentado à histórias e museus sobre a II Guerra, mas os alemães em nenhum momento alimentaram esse assunto. Foi preciso uma oportunidade surgir para que nós, então, inseríssemos o assunto II Guerra Mundial para eles.</p>
<p>No dia 27 de maio, todo o grupo foi convidado a dar voltas com carros antigos de um dos rotarianos de Castrop-Rauxel. Ele, um senhor de 82 anos havia lutado na guerra com apenas 17 . Durante o passeio com um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Horch" target="_blank">Horch</a>, uma de suas 3 raridades sobre rodas, eu e os integrantes do IGE Julio e Lincoln seguimos com ele no volante. Após alguns minutos de conversa amistosa perguntei: <em>&#8220;O senhor foi para a II Guerra?&#8221;</em></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Castrop-passeio.jpg" rel="lightbox[415]"><img class="size-medium wp-image-428 aligncenter" title="Castrop-passeio" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Castrop-passeio-300x183.jpg" alt="" width="300" height="183" /></a></td>
<td><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Castrop-volante.jpg" rel="lightbox[415]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-425" title="Castrop-volante" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Castrop-volante-300x183.jpg" alt="" width="300" height="183" /></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: xx-small; text-align: center;">Foto do passeio feito pela região do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ruhr" target="_blank">Ruhrgebiet</a>. Clique para ampliar a imagem</span>.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Castrop-donocarros.jpg" rel="lightbox[415]"><img class="alignright size-medium wp-image-426" style="margin: 20px 10px;" title="Castrop-donocarros" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Castrop-donocarros-300x183.jpg" alt="" width="300" height="183" /></a>Eu sabia que aquela era uma questão difícil e que muito possivelmente ele não gostaria de conversar sobre. Mas ele respondeu: <em>&#8220;Sim, servi o exército com 17 anos.&#8221;</em> Eu acho que posso fazer ideia das imagens que voltaram à mente daquele senhor. Poucos metros percorridos após o breve diálogo, ele aponta para uma linda casa no horizonte:<em> &#8220;Aquela é a casa de um grande amigo meu&#8230;&#8221;</em> E falou mais sobre o amigo. Informações que nem me lembro agora. Pra mim aquela atitude já havia bastado. Ele não queria mais falar sobre a famigerada guerra. O Julio ainda pediu para insistir no papo, mas preferi parar por ali mesmo.</p>
<h2>Estigma de uma palavra</h2>
<p>As palavras têm uma força invisível que frequentemente não medimos antes de proferi-las. Eu lembro de muitas vezes magoar pessoas queridas em consequência do mal uso delas. Como uma escopeta, após apertar o gatilho, não há CTRL + Z que resolva.</p>
<table border="0" cellspacing="5" cellpadding="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Oerlinghausen-042.jpg" rel="lightbox[415]"><img class="alignleft size-medium wp-image-433" title="Oerlinghausen-042" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/Oerlinghausen-042-300x182.jpg" alt="" width="300" height="182" /></a>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Jadir, o líder em questão a esquerda e o rotariano alemão.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Após um dia de muita atividade, parte do grupo foi para a casa de um rotariano. Na cozinha, o anfitrião, eu e o Jadir, líder de nosso grupo era o único que falava alemão em vez de inglês. Uma breve conversa bilíngue se seguiu até o alemão esticar o braço até mim oferecendo uma cerveja. Eu, pensando em ser simpático, arrisquei através do meu fraco alemão: <em>&#8220;Erste für mein Führer&#8221;</em> (Algo como &#8220;Primeiro para o meu líder&#8221;). Claramente me referindo ao líder de cujo grupo eu era membro.</p>
<p><em>&#8220;Shut your face!&#8221;</em> foi a resposta que recebi instantaneamente ao mesmo tempo que fechava o semblante e recolhia o braço que me oferecia a cerveja. <em>&#8220;Never ever uses this word again.&#8221; </em>ele reiterou. Eu pedi desculpas, logicamente, mas perguntei como que eu poderia me referir ao líder do meu grupo em alemão. Ele disse: <em>&#8220;Leader&#8221;</em>, em inglês.</p>
<p>Inconscientemente eu acho que queria &#8220;testar&#8221; aquele alemão. Não fui completamente ingênuo ao usar a palavra &#8220;Führer&#8221; é claro, mas também não sabia que a resposta de dar um &#8220;peteleco na orelha&#8221; seria um &#8220;direito de direita no nariz&#8221;. De qualquer forma, uma experiência interessante.</p>
<p>Aquele senhor perdeu o avô e teve o pai invalidado na II Guerra. É muito claro perceber a sua repugnância à palavra &#8220;Führer&#8221;. Ela deixou de ser apenas uma palavra, se tornou uma insígnia de tristeza e revolta para os alemães.</p>
<p>Depois desses fatos, eu ainda tive outras oportunidades de conversa sobre o nazismo, judeus, II Guerra Mundial. Com meu host-father Manfred, após beber algumas taças de vinho, muita informação foi apresentada e também com ele a cicatriz da Guerra existe. Seu pai também foi invalidado durante o conflito. Aqui no Brasil, aqui em Marechal C. Rondon, cidade onde mais de 70% dos habitantes tem olho azul e sobrenome difícil, a II Guerra Mundial é vista com muito interesse. As pessoas gostam de conversar e opinar sobre ela. O curioso ao meu ver é que nós falamos do mais importante fato do séc. XX como se fosse o melhor filme produzido nos últimos 100 anos. Como em qualquer filme, há muita gente que sente atração pelo vilão. Vilões são sedutores de fato. Mas você conhecer famílias dilaceradas por culpa desse vilão ou de consequências diretas da ação desse vilão (russos, ingleses, franceses e americanos mataram muitos alemães, mas não há ódio entre eles), dá uma imagem menos romântica à Guerra.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-437" title="cologne1945" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/cologne1945.jpg" alt="" width="571" height="457" /></p>
<h6 style="text-align: center;">Cidade de Köln em 1945, após a guerra. Apenas a famosa catedral foi poupada.</h6>
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		<title>Experiência de uma coincidência</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 07:18:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Arantes Altmann</dc:creator>
				<category><![CDATA[Experiências]]></category>
		<category><![CDATA[alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[experiência]]></category>
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		<category><![CDATA[rotary]]></category>

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		<description><![CDATA[A minha ida para a Alemanha em 2008 através do Rotary International teve início através de um curioso fato do meio do ano de 2007. E o curioso fato de 2007 só aconteceu por causa de um antigo sonho meu de 2006. As histórias que colecionamos durante a vida acontecem através de links, mas poucas [...]<br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A minha ida para a Alemanha em 2008 através do Rotary International teve início através de um curioso fato do meio do ano de 2007. E o curioso fato de 2007 só aconteceu por causa de um antigo sonho meu de 2006.</p>
<p>As histórias que colecionamos durante a vida acontecem através de links, mas poucas vezes nos damos conta disso. O que você fez para chegar até o seu atual emprego? O que você fez para chegar até sua atual namorada? As pessoas que você teve que conhecer, os lugares que você teve que ir&#8230; enfim,</p>
<h4>a web funciona como a vida. De link em link você chegou a esta página.</h4>
<p>Ainda cursando a especialização de Marketing em Londrina no ano de 2006, o caminho escolhido por um casal de amigos me despertou o mesmo desejo: viver no Canadá. Québec para ser exato.</p>
<p>A proposta era tentadora: Trabalhar, viver e se tornar canadense (gozando de todos os direitos) após 2 anos de estada no país.</p>
<p>Exigências: Ter até 33 anos de idade, formação universitária, 2mil dólares canadenses e ter boa fluência no francês.</p>
<p>Eu cumpria quase todas as exigências, “apenas” precisava aprender francês. Decidido, foi o que fiz. Comecei a estudar a língua ainda morando em Londrina. Infelizmente foi um período pouco proveitoso. Decidi, então, ousar. Larguei tudo em Londrina e voltei para minha cidade natal, Marechal Cândido Rondon, para estudar francês e finalmente realizar o sonho de viver em Québec.</p>
<p>Já em 2007, iniciei os estudos de francês em Marechal. Não poderiam ser melhores. Géraldine, minha professora francesa de francês me fez gostar da língua e também da cultura francesa. Estava indo tudo como planejado, a minha dedicação ao estudo era completa e em paralelo comecei a trabalhar com o pessoal da agência JUNG em Toledo.</p>
<p>E aqui entra uma peça chave para minha ida para a Alemanha. A agência JUNG de Toledo.</p>
<p>Numa sexta-feira qualquer de agosto de 2007 o pessoal da agência marcou um churrasco de confraternização. Eu estava em Marechal, a 40km de distância. Não costumo ir de ônibus para Toledo. Nesta noite foi justamente o que eu fiz.</p>
<p>O ônibus, quase vazio, levava três caras conversadores do outro lado do banco onde eu estava. Um deles, Willian, estava a dois dias de iniciar intercâmbio de estudos pelo Rotary na Polônia. Até então eu apenas o conhecia de vista.</p>
<p>Por algum motivo começamos a conversar. Em meio a conversa, o fato de ele ir para a Polônia e a minha vontade de ir para o Canadá surgiram naturalmente. Foi então que ele me falou: <em>“Tá rolando seletiva para um intercâmbio para a Alemanha, IGE. Por que você não tenta?”</em>. Eu respondi: <em>“Mas não tenho ligação alguma com o Rotary.”</em> E aí ele fechou com a motivação que eu precisava: <em>“Mas é justamente para quem não faz parte do Rotary. É um intercâmbio profissional de 30 dias e só tem mais 1 semana para inscrição. Segunda-feira fala com o Fábio, no salão e ele te inscreve.” </em>Fábio é irmão do Willian e faz parte do Rotary.</p>
<p>Não segunda, mas terça-feira fui falar com o Fábio. Eu precisava saber sobre o que estudar para passar na seletiva. A prova aplicada exigiria boa fluência em inglês, conhecimentos gerais e sobre Rotary. A primeira seleção, ainda em Marechal, formaria o grupo que representaria os clubes da cidade na seletiva distrital. 8 pessoas disputaram 6 vagas. Eu consegui minha vaga e representaria o Rotary Club Beira-Lago na seletiva distrital, em Francisco Beltrão. Lá, a disputa seria para apenas 5 vagas entre profissionais que representavam clubes do Rotary de todo o oeste e sudoeste paranaense.</p>
<p>A seleção que formaria o grupo final aconteceu quase um mês depois, em 29 de setembro. Fiquei em 1º na seletiva distrital. Estava extremamente feliz com o sucesso. Eu seria membro da equipe que iria para a Alemanha no ano seguinte, representando minha cidade e meu país.</p>
<p>Apertando “Fast-Forward” por pouco mais de meio ano, dia 8 de maio de 2008 eu e mais 4 membros do grupo brasileiro liderado por Jadir Zimmermann, rotariano rondonense, pegamos nosso avião com destino à Düsseldorf, Alemanha. Uma nova onda de experiências estava prestes a dar início. Algumas delas você pode ver aqui mesmo no site, como <a href="http://ouchmann.com/2010/02/17/estigma-de-uma-geracao/">da vez que provoquei um alemão veterano de guerra</a> ou da <a href="http://ouchmann.com/2010/02/17/medo/">oportunidade em experimentar medo e sorte na madrugada londrina</a>.</p>
<p><a title="Material IGE Alemanha 2008" href="http://ouchmann.com/2010/02/16/ige-alemanha2008/" target="_self">O material gráfico utilizado na Alemanha foi criado por mim. Conheça aqui.</a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ige.jpg" rel="lightbox[323]"><img class="aligncenter size-full wp-image-324" title="ige" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ige.jpg" alt="" width="570" height="347" /></a>Somos recebidos em Düsseldorf.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ige2.jpg" rel="lightbox[323]"><img class="aligncenter size-full wp-image-325" title="ige2" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ige2.jpg" alt="" width="570" height="347" /></a>Viajar e conhecer outras cidades faz parte do programa. Aqui o grupo está em Berlin.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ige4.jpg" rel="lightbox[323]"><img class="aligncenter size-full wp-image-327" title="ige4" src="http://ouchmann.com/wp-content/uploads/ige4.jpg" alt="" width="570" height="348" /></a>Dia vocacional. Cada profissional é levado a uma empresa relacionada a sua área de atuação. Uma das empresas que conheci foi a <a href="http://www.erco.com" target="_blank">ERCO</a>, criatividade em iluminação.</p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fouchmann.com%2F2010%2F02%2F15%2Fige-alemanha-2008%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><br /><div><img src="http://ouchmann.com/wp-content/plugins/gd-star-rating/gfx.php?value=5.0" /></div><div>Rating: 5.0/<strong>5</strong> (1 vote cast)</div><br />]]></content:encoded>
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