Vermelho, mas não de vergonha

Atravessar o semáforo enquanto a luz vermelha estiver acesa é um risco à própria vida, certo? Isso não deveria ser segredo para ninguém. Mas e se a ingestão de bebida alcoólica, mesmo longe do volante de um carro, puder matar? Você acreditaria?

Um pessoal do “Instituto Nacional de Abuso do Álcool e Alcoolismo” dos Estados Unidos mostra que é possível e não estamos falando de overdose.

Sabe aquele seu amigo japonês, que depois de beber alguns copos de cerveja, fica vermelho? Então, a história vai fazer sentido para ele. As pessoas cujos rostos ficam vermelhos ao beber álcool podem estar ampliando* o risco de contrair um câncer de garganta mortífero.

Isso acontece porque a pessoa enrubescida carrega uma falha genética e hereditária em uma enzima conhecida por ALDH2. O amigo japonês, utilizado no exemplo, deve-se ao fato de que mais de um terço das pessoas de origem asiáticas (japoneses, chineses e coreanos) compartilham desta enzima deficiente. Certas pessoas precisam de apenas três copos de cerveja para dar início a reação. E essa dificuldade em metabolizar o álcool resulta em um acúmulo de toxina, chamada acetaldeído.

Essas pessoas ainda se dividem em dois grupos: Há quem sinta tão mal ao beber, que torna-se incapaz de consumir grande volume de álcool. Elas carregam duas cópias do gene responsável pela deficiência e essa aversão acaba as protegendo de aumentar o risco em contrair o câncer.

No entanto, aqueles que possuem apenas uma cópia do gene podem desenvolver tolerância ao acetaldeído e consumir álcool com regularidade.

“O que estamos tentando com isso é conscientizar os médicos e os pacientes que sofram de deficiência de ALDH2 quanto aos riscos”, disse Philip J. Brooks, pesquisador do Instituto Nacional de Abuso do Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos e autor do estudo publicado no início de 2009 pela revista PLoS Medicine. “O risco é bastante sério”.

O câncer em questão é uma variedade de câncer de esôfago. Ele pode ser provocado também pelo fumo e é passível de cirurgia, mas a probabilidade de se sair vivo dela é baixa. Beber frequentemente já é suficiente para aumentar o risco. O portador dessa enzima deficiente pode beber, em média, duas cervejas por dia que o risco de desenvolver o câncer subirá de 6 a 10 vezes em comparação a uma pessoa que não apresente a deficiência na ALDH2.

Os pesquisadores calculam que, se os japoneses que sofrem desta deficiência reduzissem o consumo semanal a menos de 9 doses, mais da metade dos casos de câncer de esôfago, neste grupo, poderiam ser evitados.

Espalhe a notícia para o seu amigo japonês mais próximo. Mesmo que ele seja coreano.

*Estilo atendente de Telemarketing


Referência:

Terra – Tradução da matéria do The New York Times

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1 Comentário

  1. Vanessa Kunzler
    Vanessa Kunzler

    Putz, achei que ia ver a foto do Japa aí! hahahhaah
    Beijooo

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