Na época das eleições de 2006 deparei-me com uma aula de semiótica, teoria das cores e muita subliminariedade da revista VEJA, famosa por ser “direitêra”. Além da parcialidade política no texto, os editores da revista, àquela época, fizeram uso de algumas artimanhas do design para envolver os leitores conforme os preceitos da revista.
A matéria que me chamou a atenção foi a da capa. Revista VEJA ed. 1980 – ano 39, nº 43 (dia 1º de Novembro de 2006). “Dois Brasis depois do voto?”, precedendo as eleições daquele ano, mostrou muito bem do que somos expostos pela mídia. Não existe imparcialidade. Nem na Veja, nem na Carta Capital e nem em qualquer outra revista informativa. O que podemos fazer então? Talvez tentar conhecer o máximo de tudo.
Tá, vamos então ao que eu observei nessa matéria: A VEJA apoiou de forma silenciosa, mas quase que desesperada, Geraldo Alckmin. O grande título “ENTRE O AZUL E O VERMELHO” começa dizendo muito.
Conceitualmente + figurativamente:
AZUL = PSDB = BOM = POSITIVO
VERMELHO = PT = RUIM = NEGATIVO
Para entender como isso funciona é só pensar no seu saldo bancário.
Quanto está ótimo, positivo, está AZUL. Caso contrário, VERMELHO. A relação aqui sugere o mesmo. A manchete que se segue ratifica esse ponto de vista:
“A tarefa do novo presidente será diminuir o fosso que separa o Brasil moderno do Brasil arcaico “. Na imagem destacada ao lado tracei uma seta azul para “Brasil moderno” e outra vermelha em “Brasil arcaico”, explicitando a ligação implícita.
A aliança do AZUL para Alckmin e VERMELHO para Lula denuncia-se na primeira página, onde os pontos coloridos informam onde cada candidato tem a preferência do eleitorado. Outro fator, que fortalece essa implícita preferência de VEJA à Alckmin em vez de Lula ou à imparcialidade, são suas fotos:
Alckmin com feição serena, confiante, azul, acima de Lula, feição tensa, preocupada, vermelho na linha inferior.
Durante a matéria que segue por 9 páginas, há opiniões sobre a preferência entre um ou outro presidente que percorrem todo rodapé. Pessoas públicas e comuns emparelham seus pontos de vista a favor de seus candidatos.
Alckmin tem 10 pessoas públicas famosas ao seu favor. Atores, chef de cozinha, modelo e vj. Eles dividem sua preferência com engenheiros, advogados e empresários entre outras funções de maior destaque socioeconômico.
Lula tem 3 pessoas públicas famosas ao seu favor. A cantora Angela Ro Ro, o pugilista Popó e o ator Osmar Prado dividem preferência com uma maioria de vendedores, auxiliares de funções, porteiro, ambulante e outras ocupações de pouco destaque.
A leitura ocidental, ou seja, nossa leitura, se dá da esquerda pra direita e de cima para baixo. Levando isso em conta, o que fecha a matéria, última informação que nos é apresentada é a opinião do senhor Carlos dos Santos, ambulante do Pará de 55 anos, favorável a Lula.
“Ele é um cara igual à gente. É bom ver ele lá no poder e saber que tem alguém, em Brasília, olhando pela gente. Ele criou o Bolsa Família, que ainda não recebo, mas, se Deus quiser, vou começar a receber.”
O que tudo isso tem a ver?
É uma manipulação da VEJA? Depende.
Essa matéria apresenta uma informação estatística. Nada que está escrito lá é mentira.
Mas sua “layoutação” tenta expor uma escolha como certa e outra como errada.
Essa observação já tem quase 4 anos, foi próximo a eleição de 2006, mas os criativos da VEJA provavelmente já estão se aquecendo para as eleições deste ano.
Percebi em matéria na última VEJA (ed. 2159 – ano 43 – nº 14 – 7 de Abril de 2010), mais um jogo subliminar referente às próximas eleições majoritárias. Dessa vez com menos recursos visuais e talvez menos exposta que a matéria observada acima.
Nas páginas 56 e 57 um “Tucana alça voo”. Com foto única, ilustrando José Serra vitorioso e ovacionado pelas pessoas em sua volta, a matéria sintetiza a postura ética do pré-candidato em esperar até o momento certo para noticiar sua investida à presidência da República.
Já na página 58 e 59, através do título “Prateleira eleitoral”, a matéria conta com 3 fotos sendo a maior ilustrada por Dilma Rousseff sorrindo e todos os outros ministros, presidente e vice sob fisionomia séria e com olhares difusos e nas fotos menores, José Dirceu e Franklin Martins aparecem em instantes de visível preocupação.
Tudo isso indica que de imparcialidade a revista está longe. Estamos a alguns meses de distância das eleições. Até lá creio que a própria VEJA, como diversas outras revistas, irá utilizar da semiótica, cores, formas e todas as armas que o design e a psicologia dispõem em favor de suas concepções. Vai ser interessante acompanhar tudo isso.
Importante dizer que nada disso configura crime algum, mas julgo importante termos consciência do que nos atinge.
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Muito bom o post. Parabéns.
Abraço
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Cara… td mundo pende pra uma lado…
meio de comunicação imparcial existe?
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De novo esse texto!!!
E você…vai de bolsa família ou de privatização???
Abçs
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Revista alguma precisa ser ‘imparcial’… Eles escrevem o que querem e COMPRA a revista quem quer. E… ‘Anyway’, so os AZUIS leem mesmo! Hahaha…
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Legal sacar o texto novamente. Se não me engano, a última vez que discutimos isso foi em 2006 mesmo, na mesa do Beer House.
Fechamos a noite com o aforismo:
“Eu tenho medo do cidadão de bem”
Abraços Bródah.
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Cara, acho que o posicionamento dos meios de comunicação devem ser claros. Nos editoriais, deve estar escrito na forma mais direta possível sou de direita ou sou de esquerda. Apoio a situação ou não apoiamos a situação. No caso da veja, apoiamos o conservação daqueles que já estão no poder…
Pq não existe imparcialidade, né?
abs
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