O que têm em comum a Apple Computers, a Amazon.com, a Hewlett Packard e a Disney? Steve Wozniak e Steve Jobs, fundadores da Apple, Jeff Bezos, da Amazon.com, David Packard e William Hewlett, da Hewlett-Packard Co., iniciaram seus negócios numa garagem.
Como disse um grupo de gurus do Silicon Valley, Guy Kawasaki, a garagem é “um estado de alma” e “uma rejeição do status quo“. Eles não precisaram de um escritório luxuoso para estrear suas empresas. Michael Dell começou a vender PCs melhorados e componentes de add-on a partir de seu quarto na Universidade do Texas. Em setembro de 1998, Larry Page e Sergey Brin iniciaram o Google numa garagem alugada na Califórnia. A garagem é a maternidade da principal região de alta tecnologia, o Silicon Valley.
A ideia partiu do Dr. Frederick Terman, um professor da Universidade de Stanford, que encorajou seus estudantes a fazerem start-ups. Os primeiros a seguir seus conselhos foram William R. Hewlett e David Packard, que, em 1938, passaram a desenvolver o seu primeiro produto, um oscilador áudio, na sua garagem. E essa garagem é hoje conhecida como o local onde nasceu o Silicon Valley.
Em 1945, Wal-Mart iniciou seu negócio com apenas US$ 5 mil do dinheiro de Sam Walton e, em 1969, começou a procurar financiamento: contraiu um grande empréstimo e logo depois ofereceu US$ 4,6 milhões públicos. Em 2009, a Wal-Mart tinha como rendimentos mais de US$ 400 milhões, mais que o PIB de muitos países. Isso não quer dizer que as empresas devam começar sempre com recursos internos, porque, em muitos casos, a procura de fundos externos e as condições das empresas de capital de risco aceleram e reforçam a transformação inicial em empresas de crescimento mais lento. Muitas vezes, as empresas de financiamento de capital de risco apresentam melhores resultados nos estágios de crescimento dos empreendedores do que sem intervenção de investidores.
Costumo perguntar aos meus alunos: “Você gosta de ser empreendedor?”, e 50% deles dizem que sim. A questão seguinte é: “Tem alguma ideia sobre um projeto que gostaria de realizar?”, à qual 50% dos que tinham respondido afirmativamente à primeira dizem que sim. Quando pergunto a esses 50% as razões por que ainda não iniciaram o projeto, a resposta é rápida e a maioria responde: “Preciso de mais experiência” ou “preciso de dinheiro”.
Provavelmente, as políticas que existem para promover o empreendedorismo estão erradas. Talvez os subsídios e o capital para start-ups que existem sejam a via errada. É tempo de pensar em construir garagens. E se eu compreendi alguma coisa de como isso funciona em alguns países, o próximo passo seria criar um “Observatório de Garagens”.
Referência:
Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios – Março 2010 – Nº 254.
Matéria escrita pelo pesquisador Soumodip Sarkar, um dos principais especialistas mundiais em inovação pelo World Economic Forum.
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