Sempre comparei o funcionamento do trânsito real com o de um jogo de videogame. Penso até que, antes de entregar a carteira de motorista para um novato, colocassem-no a prova em um jogo qualquer como Enduro do Atari, por exemplo. Geralmente quando a pessoa joga, a atenção dela fica na tela. É um belo exercício. A mãe pode chamar pra almoçar, a irmã pode gritar que quer assistir TV… não importa, sua atenção está fixa na tela, você não quer bater o carro.
Voltando ontem de Londrina comecei a reparar no trânsito da estrada e relaciono abaixo algumas observações:
Poder, educação e consciência
É certo que generalizar é errado, mas por que constato cada vez mais que quem anda em carro caro geralmente dirige mal pra caramba? Pra mim, isso é um contrassenso. Convenhamos; quem anda num carro avaliado em mais de R$ 100mil deve ter sucesso profissional ou determinado poder, não é? Imagino que quem teve um bom berço e oportunidade de estudar devesse dar exemplo de educação na padaria e também na estrada.
Ou será que o poder dá à pessoa inevitável petulância? Ao ver aqueles Audis e BMWs ultrapassando em faixa contínua e certamente a mais de 150km/h, imagino a pose de seus motoristas proferindo a famosa questão: “Você sabe com quem está falando?”
Luz alta
Sem hesitar posso dizer que você odeia luz alta na cara, certo? Ela é chata quando vem em direção oposta a nossa visão. De noite então, quando precisamos de 100% da nossa luz para ver para onde estamos indo a luz alta vindo em mão oposta, além de incomodar, compromete de alguma forma nossa segurança.
Sempre que viajo a noite eu testo a atenção do pessoal que vem na mão contrária a minha. Em curvas ou percorrendo algum relevo há possibilidade de perceber a presença de carro na pista antes mesmo de ele aparecer. Mágica? Claro! O nome dela é física!
Durante a curva, o acostamento é iluminado antes do carro aparecer e “montanha acima” é possível perceber a aura da luminosidade antes de dar de frente com o carro. E isso é vice-versa. Funciona para você e também para quem vem ao seu encontro na estrada. Então atingir o olho do outro com luz alta, ao meu ver, é uma questão de atenção e opção.
Motociclista… ah o motociclista…
Nas grandes cidades ele é o famoso vilão. Trafega pelas entre pistas, sobe na calçada, segue na contramão com facilidade… mas o que eu percebo é que na estrada ele é a vítima. O mesmo motorista que o critica por não respeitar a faixa de tráfego da cidade, é o que desrespeita-o na estrada. É… a hipocrisia não escolhe o alvo.
Não sou motociclista e nem o quero ser, mas posso imaginar a angústia de estar trafegando a 100km/h na estrada com um caminhão ou carro colado na traseira da moto. Ou ainda ser ultrapassado “à meia pista”, quase sendo encostado na lateral da moto.

O comportamento do trânsito reflete bem a situação da educação de um país. A Alemanha é um clássico exemplo disso, os países de primeiro mundo sempre estão em nossa frente, mas você vai se surpreender com a educação do trânsito chileno ou enlouquecer com a organização do trânsito indiano e peruano.
Se alguma vez você me encontrar em alguma estrada, fique tranquilo. Além de não dificultar sua viagem eu não vou provocar acidente algum por desatenção ou desrespeito. Só gostaria de saber que, quando for eu a encontrar você na estrada, não seja diferente.
Como diria a Fundação Roberto Marinho: “Educação, passe adiante”.
Continuo tentando! =)
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Fabiana Guedes | Vinicius Moura
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